Prefeitura fiscaliza ‘livros impróprios’ na Bienal do Rio. Censura?

Ação aconteceu depois que o prefeito Marcelo Crivella ordenou a retirada de uma HQ por conter um beijo entre personagens homossexuais

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Sociedade

Após a ordem do prefeito Marcelo Crivella de retirar a HQ “Vingadores: A cruzada das crianças” da Bienal do Livro do Rio de Janeiro por conter dois personagens homossexuais se beijando, a feira foi vistoriada por funcionários da Prefeitura em busca de livros considerados impróprios.

Gravações feitas no evento e que circulam pelas redes sociais mostram o momento em que dez funcionários da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) chegaram ao evento com o intuito de identificar e lacrar ‘títulos inapropriados’. O subsecretário operacional da SEOP, Wolney Dias, que comandava a operação, declarou que tratava-se de “uma vistoria em busca de material pornográfico”. A varredura durou até as 14h desta sexta-feira e nenhum título foi apreendido.

A HQ Vingadores, censurada por Crivella, está esgotada na bienal desde a última quarta-feira. O livro, que tem 264 páginas, foi escrito pelo americano AllanDois e ilustrado pelo britânico Jim Cheung. A história tem como personagens centrais o casal abertamente homossexual, Wiccano e Hulkling, que aparece abraçado e dividindo a mesma cama em algumas páginas.

Crivella chegou a ameaçar cancelar o evento caso a obra não fosse lacrada.  O político atacou a publicação como uma “covardia” às crianças e chama os colegas da Câmara para assinarem uma carta de repúdio contra a Marvel, Panini e Salvat, todas responsáveis pela publicação da revista no Brasil.

A Bienal divulgou uma nota se posicionando e se recusando a retirar o livro da feira. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor.

A ação de vistoria na Bienal do Livro do Rio de Janeiro foi amplamente debatida nas redes sociais:

 

1. Paola Carosella

 

2. Ivan Valente, deputado federal

3. Chico Alencar, ex-deputado federal

4. Todavia Livros

5. Companhia das Letras

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