Polícia do Pará indicia brigadistas por incêndio em Alter do Chão

Defesa fala em direcionamento da investigação. Brigadistas responderão por danos a área de proteção ambiental e associação criminosa

Os brigadistas de Alter do Chão, no Pará (Foto: Tiago Silveira/Amazônia Real)

Os brigadistas de Alter do Chão, no Pará (Foto: Tiago Silveira/Amazônia Real)

Sociedade

A Polícia Civil do Pará indiciou quatro brigadistas pelos incêndios que ocorreram na área de proteção ambiental de Alter do Chão, em Santarém, em setembro deste ano. Segundo relatório da polícia, Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Marcelo Aron Cwerner, Gustavo de Almeida Fernandes, e Ronnis Repolho Blair, conhecido como “Cebola”, que foi treinado pela brigada, seriam os responsáveis pelas queimadas.

O inquérito ainda aponta que os indícios recolhidos na investigação “demonstram a participação ativa dos referidos Brigadistas nos eventos” e que havia “o interesse destes em disseminar registros fotográficos em âmbito nacional e internacional com a finalidade de promoção da tragédia e em benefício de auferirem vantagens financeiras através de vultosas doações em dinheiro, por parte de pessoas de boa fé de todo o globo.”

 

Os cinco vão responder por dano a unidades de conservação e áreas de proteção ambiental (pena de 1 a 5 anos de prisão), concurso de pessoas (que pode agravar a pena) e associação criminosa (1 a 3 anos de prisão).

A defesa dos brigadistas registrou surpresa diante à medida e alegou “enorme injustiça”. “O indiciamento é fruto de ilegalidades e, infelizmente, indica direcionamento da investigação. Encerraram-se as investigações de maneira atropelada, sem a realização de perícia técnica, ainda em curso na Polícia Federal, para apurar em que circunstâncias efetivamente ocorreu o incêndio. Ignorou-se também pedido para que fossem ouvidas testemunhas indicadas pelos advogados dos brigadistas à autoridade policial há mais de duas semanas. Esta precipitação atenta contra a apuração correta dos fatos”, registraram em nota os advogados do Projeto Aliança.

 

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A notícia do indiciamento dos integrantes da Brigada de Alter do Chão surpreende a Defesa e representa uma enorme injustiça. O indiciamento é fruto de ilegalidades e, infelizmente, indica direcionamento da investigação. Encerraram-se as investigações de maneira atropelada, sem a realização de perícia técnica, ainda em curso na Policia Federal, para apurar em que circunstâncias efetivamente ocorreu o incêndio. Ignorou-se também pedido para que fossem ouvidas testemunhas indicadas pelos advogados dos brigadistas à autoridade policial há mais de duas semanas. Esta precipitação atenta contra a apuração correta dos fatos. O indiciamento foi baseado em ilações extraídas de depoimentos meramente especulativos sem nenhuma prova atacando aqueles que dedicaram as suas vidas a combater incêndios voluntariamente na região amazônica. Assinam os advogados do Projeto Aliança – 20/12/2019

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Ainda de acordo com a defesa, o indiciamento foi baseado em ilações extraídas de depoimentos meramente especulativos sem nenhuma prova atacando aqueles que dedicaram as suas vidas a combater incêndios voluntariamente na região amazônica.

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