Sociedade

Polícia de SC indicia familiares de adolescentes suspeitos pela morte do cão Orelha

Três adultos foram interrogados e indiciados pelo crime de coação no curso do processo; adolescentes ainda serão ouvidos

Polícia de SC indicia familiares de adolescentes suspeitos pela morte do cão Orelha
Polícia de SC indicia familiares de adolescentes suspeitos pela morte do cão Orelha
Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis. Créditos: Reprodução/Redes sociais
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A Polícia Civil indiciou os familiares dos adolescentes suspeitos de agredirem o cachorro Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O inquérito, concluído na segunda-feira 26, foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) da capital catarinense.

Os responsáveis legais pelos adolescentes — entre eles um advogado e dois empresários — foram interrogados e indiciados pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a investigação, eles teriam pressionado testemunhas que possuíam provas das agressões contra o animal. Uma das vítimas da suposta coação seria o segurança de um condomínio da região da Praia Brava, que teria presenciado os maus-tratos.

O cão estava desaparecido e foi encontrado agonizando no dia 16 de janeiro. Em razão da gravidade dos ferimentos, os veterinários decidiram pela eutanásia do animal. O cachorro, conhecido na comunidade, era alimentado e cuidado pela vizinhança.

No decorrer da apuração, a polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes suspeitos. Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram recolhidos e passarão por perícia técnica.

Paralelamente, tramita um auto de apuração de ato infracional instaurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). O procedimento busca esclarecer a participação dos jovens no episódio. Eles ainda serão convocados para prestar depoimento.

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira 27, a delegada da DPA, Mardjoli Valcareggi, afirmou que mais de 20 pessoas foram ouvidas e que os investigadores analisaram cerca de 72 horas de gravações provenientes de 14 câmeras de monitoramento. O objetivo, segundo ela, foi reconstruir com precisão a dinâmica do crime.

A delegada revelou ainda que a polícia analisa imagens de outros episódios possivelmente relacionados ao caso de Orelha. Há suspeitas de que o mesmo grupo de adolescentes esteja envolvido em maus-tratos contra outro cachorro da região, chamado Caramelo, que teria sido arremessado ao mar, mas conseguiu escapar. O animal acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.

O desfecho da investigação poderá resultar na aplicação de medidas socioeducativas, a serem definidas pelo Judiciário, caso a responsabilidade dos adolescentes seja confirmada.

A Polícia informou ainda que dois dos adolescentes investigados estão em viagem de formatura aos Estados Unidos, previamente agendada. Diante da repercussão do caso e do clima de comoção pública, os investigadores afirmaram que será montada uma operação de segurança no aeroporto, em conjunto com a Polícia Militar, para garantir a integridade do grupo — formado por 115 adolescentes — que deve retornar ao Brasil na próxima semana.

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