Sociedade

Gritos contra abusos da PM ofuscam tarifa em protesto do MPL

Tensão entre polícia e manifestantes já era sentida desde o início, na avenida Paulista, mas estourou na frente da Prefeitura; próximo ato será na zona leste

Para a organização, estavam presentes 20 mil manifestantes; já a polícia calcula 3 mil
Apoie Siga-nos no

Máscaras no rosto, olhares de poucos amigos e disposição para a briga. A descrição, desta vez, não é de nenhum black bloc, mas da Polícia Militar de São Paulo, que na manifestação da sexta-feira 16 decidiu se antecipar ao confronto e descarregar sua artilharia em frente à sede da prefeitura, no centro da cidade, antes do percurso planejado terminar.

A tensão entre a PM e os manifestantes já era sentida desde a Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, onde o ato começou, por volta das 17h. Mascarados ou não, todos reprovavam os tiros de borracha disparados na manifestação da semana passada. “A força da polícia é desproporcional”, afirmou um black block a CartaCapital. “Agora o batalhão de choque vem mascarado e sem identificação. Por que eles podem?”

Assembleia terminada e trajeto definido: todos desceriam a rua da Consolação, passariam pela prefeitura, no viaduto do Chá, e seguiriam para a Secretaria Municipal de Transportes, ali perto.

Os gritos pela desmilitarização da PM ganharam volume já no início da marcha, quando um manifestante foi arrastado pelos soldados para fora do cordão de isolamento por volta das 19h30. O protesto parou ali mesmo, na Consolação, e só continuou depois de a PM permitir que um advogado acompanhasse a detenção.

As palavras de ordem contra os policiais passaram a rivalizar com os cantos para baixar a passagem, que desde o começo do ano custa três reais e cinquenta centavos na capital paulista.

A passeata permaneceu pacífica até a primeira novidade preparada pelo MPL: ao chegar à prefeitura, um carro de som exigiu respeito da polícia antes que uma paródia de Beijinho no Ombro, de Valesca Popozuda, insinuasse que protesto popular em São Paulo é tratado com “tiro, porrada e bomba”.  A letra, projetada nas paredes do prédio, foi cantada pelos 20 mil manifestantes, pelas contas do MPL, – a PM fala em 3 mil.

Ao final da projeção, um porta-voz do movimento tomou o microfone para reiniciar a caminhada: “Vamos terminar o protesto em frente à Secretaria de Transportes!”

Não foi o que aconteceu. Antes que a multidão retomasse a caminhada, um manifestante jogou uma garrafa de cerveja no escudo de um policial – o suficiente para que uma chuva de tiros de borracha e bombas de efeito moral caísse sobre as cabeças de quem protestava.

A reportagem se escondeu atrás do carro de som, enquanto os manifestantes fugiam em direção ao Theatro Municipal. A PM perseguiu e prendeu ao longo de todo o centro, atirou contra a imprensa, gerando mais protestos que acabaram com lixos rasgados pela na Rua Coronel Xavier de Toledo e a fachada de um banco estilhaçada.

Até o fechamento da reportagem, ao menos oito manifestantes haviam sido levados para o 78.º Departamento de Polícia.

O terceiro ato convocado pelo movimento está previsto para acontecer na terça-feira 20, às 17h, na praça Silvio Romero, próximo ao Metrô Tatuapé, na Zona Leste da Cidade.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo