Educação
PM dispersa com violência ato de estudantes da USP, Unesp e Unicamp
A manifestação buscava reunir o maior número de estudantes para pressionar a reunião dos reitores
Um ato de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nesta segunda-feira 11 terminou com ação truculenta da Polícia Militar. O protesto, realizado em frente ao prédio da Reitoria da Unesp, foi dispersado com uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha e golpes de cassetete.
A manifestação desta segunda-feira buscava reunir o maior número de estudantes para pressionar a reunião dos reitores. O encontro foi cancelado pelo gabinete da reitoria da Unesp, que responde atualmente pela presidência do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
Em nota, o Cruesp informou que a “medida foi adotada de forma preventiva, visando preservar a integridade de todos os participantes e assegurar condições apropriadas para futuras tratativas institucionais relativas à pauta unificada de reivindicações de 2026”.
A nova manifestação faz parte do calendário de greves dos estudantes das universidades estaduais paulistas, que reivindicam melhores condições de permanência na universidade, como o aumento das bolsas permanência, e a reforma da moradia universitária. Além disso, buscam pressionar pelo reajuste orçamentário das três universidades administradas pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
As novas cenas de violência acontecem um dia após os estudantes da USP serem expulsos da ocupação que durou três dias no prédio da reitoria da universidade. Nesta segunda, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que “o policiamento seguirá para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio” e que “eventuais denúncias de excessos serão rigorosamente apuradas”.
“Estávamos aqui de forma pacífica, lutando pelos nossos direitos. Sou estudante de engenharia e gasto cerca de 2h para chegar na USP porque é impossível pagar um aluguel com o que a universidade nos oferece. A reitoria acha que aumentar o auxílio social em 27 reais vai fazer milagres”, disse à CartaCapital uma estudante que prefere não se identificar.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou a corregedoria e o Ministério Público pela ação violenta da PM no campus. Também do PSOL, a deputada estadual Mônica Seixas (SP) criticou a ação da PM de Tarcísio: “Repudiamos a repressão policial contra estudantes e trabalhadores da USP, Unicamp e Unesp. Bombas e violência nunca serão respostas para quem defende direitos”.
Nesta segunda, os alunos do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aderiram à greve dos estudantes e vão paralisar os atendimentos e atividades práticas no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU).
Os estudantes lutam principalmente contra o programa “Experiência HCFMUSP na Prática”, que vende vagas de estágio por 8.450 reais para alunos de faculdades privadas estagiarem no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário. Eles também protestam contra o sucateamento do HU, que perdeu cerca de 30% do quadro de funcionários na última década.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



