Sociedade
PF investiga contratos da Globo com a CBF, diz site
Análise sobre a relação da emissora com a confederação seria parte da colaboração com o FBI, que apura corrupção no futebol
A Polícia Federal está investigando os contratos entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro há décadas. A informação é do portal UOL.
De acordo com a reportagem, não pesam suspeitas sobre a Globo, mas o “escrutínio de especialistas da PF” é parte da colaboração da PF do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, e outras autoridades estrangeiras que apuram casos de corrupção na administração do futebol mundial. A PF deseja entender, diz o site, quais são as regras do relacionamento entre a CBF e a Globo.
A investigação sobre a corrupção na Fifa e em outras entidades futebolísticas foi tornada público pelo FBI em maio. Entre os presos está José Maria Marin, ex-presidente da CBF, que estaria ligado a ao menos dois esquemas, envolvendo os direitos de transmissão da Copa América e da Copa do Brasil, campeonato anual de clubes brasileiros.
Segundo a acusação das autoridades norte-americanas, a Traffic, empresa de marketing esportivo do empresário brasileiro J. Hawilla, pagava como suborno a Marin e a outros dois dirigentes da CBF dois milhões de reais por ano pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. A Traffic, então, revendia esses direitos para emissoras brasileiras.
Um desses dirigentes era, provavelmente, Ricardo Teixeira. Por décadas, ele coordenou por parte da CBF a aliança com a Globo. No caso específico do Campeonato Brasileiro, que não está sob investigação do FBI pelo que se sabe até aqui, não havia uma empresa intermediária como a Traffic. Por anos, a CBF organizava a competição e a própria Globo comprava diretamente os direitos de transmissão, junto ao Clube dos 13, entidade que reunia diversos clubes do futebol brasileiro.
O fim do Clube dos 13
Como lembra a reportagem do UOL, em 2011, a Globo parou de comprar os direitos do Clube dos 13 e passou a negociar diretamente com os clubes. A nova prática teve início por conta de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que considerou irregular a preferência dada à Globo.
O conselho determinou a realização de uma licitação por parte do Clube dos 13 para a venda dos direitos de transmissão do campeonato, mas a concorrência, na qual Record e Rede TV! manifestaram interesse, acabou não tendo efeito prático. Isso ocorreu porque o Clube dos 13 rachou e acabou fechando as portas.
A cisão se deu por conta de uma disputa entre as agremiações que defendiam a Globo, como a CBF desejava, e as que planejavam contratos com outras emissoras.
O grupo anti-Globo não teve sucesso justamente por conta de uma ação conjunta entre a emissora e a entidade. De um lado, a Globo passou a emprestar dinheiro diretamente para os clubes, por meio do adiantamento de cotas de tevê, e de outro estabeleceu as negociações diretas com eles, fragilizando a coesão do Clube dos 13.
De outro lado, a CBF passou a tentar implodir o Clube dos 13, objetivo que Ricardo Teixeira buscava desde 2010. Naquele ano, Teixeira reconheceu uma série de títulos que permaneceram sob disputa por anos, como a Taça Brasil, a Taça Roberto Gomes Pedrosa e a Copa União, para tentar atrair clubes para sua esfera de influência. Em 2011, empenhado em garantir a vitória da Globo na disputa, Teixeira reforçou a ofensiva e deu seu golpe final ao manobrar pela saída do Corinthians do grupo.
Então presidido por Andrés Sanchez, hoje deputado federal pelo PT-SP, o clube paulista conseguiu um bom contrato com a Globo e também a possibilidade de construir um estádio próprio. Erguido pela Odebrecht, com intermediação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estádio do Corinthians substituiu o Morumbi como sede da cidade de São Paulo na Copa do Mundo de 2014. Pertencente ao São Paulo, clube que naquele momento fazia oposição a Teixeira, o Morumbi foi descartado como sede da Copa pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, então presidido pelo próprio Ricardo Teixeira.
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