Sociedade

Petroleiros entram em acordo com a Petrobras e encerram greve

Milhares de trabalhadores paralisaram por 20 dias em 121 unidades do Sistema Petrobras

Petroleiros ficaram 20 dias em greve. Foto: FUP
Petroleiros ficaram 20 dias em greve. Foto: FUP

Os petroleiros entraram em um acordo com a Petrobras para encerrar a greve, após audiência de conciliação com representantes da estatal, no gabinete do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra.

Os trabalhadores paralisaram por 20 dias, com início em 1º de fevereiro, em 121 unidades do Sistema Petrobras. Eles protestavam contra mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), no município de Araucária (PR).

Além do fim da greve, ficou decidido que metade dos dias parados será descontada na folha de pagamento e a outra metade será compensada pelos empregados. As punições administrativas contra os trabalhadores que aderiram à greve deverão ser canceladas pela Petrobras.

As demissões na fábrica de fertilizantes será tema de discussão em uma reunião marcada para 27 de fevereiro. Segundo o TST, serão debatidos o aumento da compensação financeira para os dispensados e a possibilidade de aproveitamento em outros setores.

Também foi autorizada a aplicação de multa às entidades sindicais. De acordo com a Petrobras, ficou permitida a retenção pela estatal das mensalidades das entidades sindicais no valor de 2,4 milhões de reais.

Segundo a FUP, outra reivindicação atendida diz respeito à tabela de turnos, que havia sido modificada pela Petrobras de forma unilateral. Os petroleiros terão 25 dias para aprovar uma nova tabela.

“Nossa greve foi vitoriosa. Sempre nos dispusemos a negociar, mas, infelizmente, a Petrobras não teve a mesma atitude. Garantimos que nossa greve não iria prejudicar o abastecimento à população e cumprimos o que prometemos”, celebrou o diretor da FUP, Deyvid Bacelar.

Em nota, a Petrobras afirmou que fez esforços para adotar medidas de segurança aos empregados e às instalações, no decorrer do período de greve.

“Durante o período de paralisação, a Petrobras tomou todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos empregados e das instalações e a manutenção da produção. Isso só foi possível graças à dedicação e ao empenho dos empregados das equipes de contingência”, afirmou.

Na terça-feira 18, a Justiça do Trabalho suspendeu as demissões dos empregados até 6 de março, data em que ficou prevista outra audiência de conciliação.

A Petrobras havia anunciado a demissão dos funcionários porque está se desfazendo da fábrica, comprada em 2013. Segundo a estatal, desde a aquisição, a subsidiária apresenta recorrentes prejuízos que já somam mais de 2 bilhões de reais. Para o fim de 2020, a direção diz que o resultado negativo pode superar 400 milhões de reais.

Segundo a FUP, a decisão descumpria a Cláusula 26 do Acordo Coletivo, pactuado com a Petrobras. O documento foi criado para que não houvesse demissões em massa sem prévia discussão com o sindicato.

*Com informações da Agência Brasil.

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