Política

Ouvidor da PM vê irregularidade na abordagem a Haddad em São Paulo

Mauro Caseri encaminhou um ofício à Corregedoria da Polícia Militar solicitando apuração sobre o caso

Ouvidor da PM vê irregularidade na abordagem a Haddad em São Paulo
Ouvidor da PM vê irregularidade na abordagem a Haddad em São Paulo
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Washington Costa/Ministério da Fazenda
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O ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Mauro Caseri, avalia que houve irregularidade por parte da corporação na abordagem feita ao candidato Fernando Haddad (PT) na noite da terça-feira 11, na zona sul de São Paulo. Ele afirmou ainda que encaminhou um ofício à Corregedoria da Polícia Militar solicitando apuração sobre o caso.

Segundo relato de Haddad, ele chegava em casa quando policiais, em uma viatura, jogaram luz contra o seu rosto, sem pedir documentação ou dar qualquer orientação. Após o episódio, os agentes teriam seguido o carro de seu motorista, por cerca de 40 minutos, no trajeto para a sua casa, de maneira intimidatória. O motorista disse que chegou a descer do carro para perguntar aos policiais o que estava acontecendo e ouviu a expressão “vaza daqui”.

“Eu entendo que houve uma irregularidade”, disse Caseri à reportagem de CartaCapital. O ouvidor também não descartou um possível caso de intimidação política, uma vez que Haddad é candidato ao governo de São Paulo e o principal adversário político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

“Esse aspecto tem que ser levado em consideração. Não estamos falando apenas de um cidadão que estava desembarcando de um carro e se sentiu de alguma maneira agredido, mas de um candidato ao governo do estado”, ponderou.

O ouvidor contestou, ainda, a posição adotada pela Secretaria de Segurança Pública que disse não haver indícios de ‘abordagem ou procedimento irregular’, após a análise de imagens de cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos da região. “Quem apura se algo irregular aconteceu ou não é a Corregedoria”, criticou.

A SSP também chegou a informar a Haddad que os policiais estariam à procura de uma gangue do “quebra-vidro” na região central da capital paulista. A versão foi contestada pela campanha de Haddad, sob o argumento de que o horário da ocorrência não condiz com o do relato.

Caseri afirmou que, ainda que se tratasse de uma situação suspeita, digna de averiguação, existe um procedimento a ser seguido. “Por que razão eu sigo um carro? Vamos supor que tivesse uma notificação de furto ou roubo e que o veículo fosse suspeito, tem que averiguar a placa do automóvel no contexto da ocorrência”, explicou.

O ouvidor disse que, até o momento, a Polícia Militar não informou a identidade dos agentes envolvidos no caso, e nem as credenciais da viatura. Também não se tem informação sobre o uso das câmeras corporais por parte dos agentes. “Todas essas questões devem ser respondidas pela guarnição no curso de uma apuração da Corregedoria”, reforçou.

Os desdobramentos do caso

Nesta sexta-feira 14, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da abordagem a Haddad.

Ao autorizar o inquérito, o MPF destacou que o relato da coligação petista indica “possível prática de abuso dos poderes político e de autoridade, mediante a utilização da máquina pública e do aparato policial estatal para coagir ou intimidar candidato durante o processo eleitoral”.

O MPF ainda pediu documentos, no prazo de cinco dias, ao secretário da pasta, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, e à comandante-geral da PM, coronel Glauce Cavalli. O despacho também solicita imagens das câmeras na data, após 21h40.

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