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Os detalhes da investigação que prendeu Deolane Bezerra, apontada como elo do PCC

O patrimônio da influenciadora, que reúne mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, é estimado em 100 milhões de reais

Os detalhes da investigação que prendeu Deolane Bezerra, apontada como elo do PCC
Os detalhes da investigação que prendeu Deolane Bezerra, apontada como elo do PCC
A influenciadora Deolane Bezerra. Foto: Reprodução/Instagram
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A Polícia Civil de São Paulo detalhou, na tarde desta quinta-feira 21, os detalhes da investigação que levaram à prisão da influencer Deolane Bezerra, acusada de envolvimento com lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A influenciadora foi presa em sua residência, uma mansão de luxo localizada em Barueri, na região metropolitana, e encaminhada ao Palácio da Polícia Civil, no centro da capital, onde passará por audiência de custódia.

Segundo a Polícia, a prisão é consequência de três inquéritos policiais que revelaram a estrutura financeira do PCC e permitiram a identificação de operadores.

Ainda de acordo com os investigadores, a ordem de prisão tem relação com bilhetes encontrados e apreendidos no interior de um presídio, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, em 2019, e que continham ordens internas da facção, contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos, como matar funcionários do sistema prisional.

A apreensão do material foi feita durante inspeção na cela de Gilmar Pinheiro Feitoza, apontado como chefe da facção dentro da unidade prisional, e Sharlon Praxedes da Silva, conhecido como “Maradona”. Segundo os investigadores, os bilhetes também faziam menção a ‘mulher da transportadora’, dando início a uma outra investigação para apurar a ligação entre uma transportadora suspeita, também no município, com o esquema criminoso. Os presos foram transferidos para o sistema federal após a apreensão do material.

Posteriormente, os policiais concluíram que a transportadora Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes, era uma empresa de fachada utilizada para lavar dinheiro do tráfico, sob o comando de Marcola, preso na Penitenciária Federal de Brasília, no Distrito Federal, e seus familiares. O irmão de Marcola, Alejandro Camacho, que também está preso em Brasília, seria outro líder das operações.

Os policiais apontaram Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, considerada foragida na Espanha, como a responsável por passar informações de dentro do sistema penitenciário federal ao administrador da transportadora, Ciro Cesar Lemos, de como deveria ser feita a divisão do dinheiro do negócio ilícito. Já o esquema do fluxo de pagamento seria comandado por Everton de Souza, conhecido como ‘Player’.

O envolvimento de Deolane, segundo a Polícia

Deolane seria uma das receptadoras do dinheiro ilegal. Deolane seria uma das receptadoras do dinheiro ilegal. As investigações identificaram, entre 2018 e 2021, que a influenciadora recebeu 1,067 milhão em depósitos fracionados inferiores a 10 mil reais, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro. Também identificou quase 50 depósitos feitos em duas empresas ligadas a Deolane, totalizando 716 mil reais.

Em contrapartida, os investigadores disseram não ter encontrado pagamentos compatíveis com os supostos créditos relacionados às transferências, o que indica ocultação e dissimulação de recursos da facção criminosa.

Segundo a Polícia, Deolane atua como uma espécie de ‘caixa do crime organizado’, devido à influência e poder econômico adquirido nos últimos anos. O patrimônio da influenciadora, que reúne mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, é estimado em 100 milhões de reais.

O sobrinho de Marcola, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também foi apontado como destinatário do dinheiro lavado da família, também é alvo de mandado de prisão e estaria na Bolívia.

A operação da Polícia Civil cumpriu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de 8 milhões, além de 357,5 milhões dos investigados. Ainda de acordo com a corporação, os inquéritos policiais foram finalizados e encaminhados ao Ministério Público do Estado, para eventual formalização da denúncia.

Os investigadores não descartaram a abertura de novas investigações como desdobramento, também envolvendo a influencer. Os agentes comentaram sobre a ligação de Deolane Bezerra com empresas de apostas esportivas, as bets, e indicaram como suspeito o aumento de patrimônio da influenciadora, essencialmente a partir de 2022, sem correlação com trabalhos prestados, que pode indicar sonegação fiscal.

A reportagem de CartaCapital procurou o advogado da influenciadora e atualizará o texto em caso de manifestação.

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