Sociedade
O que se sabe sobre o caso do garoto de 11 anos encontrado morto com sinais de tortura em SP
O caso aconteceu na Zona Leste da capital; o pai, a avó paterna e a madrasta do menino foram presos
A Polícia Civil investiga a morte de um garoto de 11 anos, que foi encontrado morto na casa onde morava com a família, na zona leste de São Paulo, com sinais de tortura.
Três pessoas foram presas e indiciadas por tortura com resultado morte: o pai da criança, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta Camilla Barbosa Dantas Felix, 42.
O garoto, Kratos Douglas, foi encontrado morto na segunda-feira 11, na casa que dividia com familiares em Itaim Paulista. A própria família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, alegando que a criança estava passando mal, mas os socorristas atestaram que ele já estava sem vida ao chegarem ao local.
A criança foi encontrada caída em um dos quartos da residência. O corpo do garoto apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de outros sinais compatíveis com maus‑tratos, como desnutrição.
Segundo a Polícia, o pai do garoto admitiu, em interrogatório, que mantinha o filho acorrentado dentro de casa, para impedir supostas fugas da criança. O homem foi preso em flagrante e negou que agredisse a criança. Os agentes, no entanto, encontraram sinais nas pernas do garoto compatíveis com tortura. Também foram encontradas correntes que seriam usadas para prender o menino.
Dois dias depois da prisão do homem, a Justiça determinou a prisão da avó paterna e da madrasta do garoto. Em depoimento aos policiais, ambas disseram saber que o menino era acorrentado pelo pai, mas negaram participação. As mulheres disseram que alimentavam o garoto.
A investigação também apontou que a criança não frequentava a escola desde 2024, nem sequer estava matriculada. O garoto teria vindo de Bauru, na companhia da avó, em 2024. Os familiares justificaram que ele não frequentava a escola porque fugia ao chegar ao local, e passava dias até retornar à casa, motivo pelo qual permanecia acorrentado.
Ainda de acordo com a Polícia, a família morava na casa há um ano e, nesse período, vizinhos relataram não terem visto o garoto sair da residência. Os agentes também encontraram câmeras de monitoramento pela casa e investigam se os equipamentos poderiam servir para uma suposta exibição das torturas sofridas pelo garoto.
Outras duas crianças foram encontradas na casa, um menino de 3 anos, filho da madrasta de Kratos, e outra de 12 anos, filha da mãe do menino que morreu, e foram encaminhadas pelas autoridades ao Conselho Tutelar. A mãe de Kratos mora no interior e será ouvida pela Polícia na condição de testemunha, até o momento.
Em coletiva de imprensa sobre o caso, o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, se disse chocado com a ocorrência. “Eu não vou mostrar essa imagem para ninguém, sabe quando você vê aquelas crianças desnutridas, magrinhas, que é só esqueleto, é o caso desse menino”, declarou.
A Polícia aguarda a emissão do laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) para determinar a causa da morte do garoto. O caso segue sendo investigado pelo 50º DP de Itaim Paulista.
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