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O que se sabe até agora sobre a morte de Sabrina Bittencourt

Política,Sociedade

Os detalhes da morte de Sabrina Bittencourt, a ativista que revelou as denúncias de abuso sexual de João de Deus e outros líderes religiosos, ainda são incertos. Passado um dia desde a alegação do suicídio da ativista, colegas e familiares dão respostas diferentes sobre como e onde ela morreu.

A notícia veio a público às 11h24 do domingo 3, através de uma nota assinada por Maria do Carmo Santos, fundadora da ONG Vítimas Unidas, do qual Sabrina participava. De acordo com o comunicado, a ativista se suicidara em Barcelona por volta das 21h do sábado, deixando uma carta de despedida.

No texto, o grupo também pedia “a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas nesse momento tão difícil”.

Gabriel Baum, filho mais velho da ativista, de 16 anos, é o único parente próximo a se pronunciar sobre a morte. As declarações do adolescente contradizem a versão apresentada pela nota da ONG – segundo ele, a mãe morreu no Líbano e será enterrada naquele país.

Gabriel contou ainda que se encontrou com a mãe pela última vez em Paris, antes de ela seguir para Barcelona e, mais tarde, para o Líbano com a namorada. O ex-marido, Rafael Velasco, estaria em estado de choque e medicado. Gabriel tem dois irmãos, de 8 e 10 anos de idade.

Ele também reagiu às cobranças por informações mais consistentes sobre a morte da mãe. “O corpo é dela e nenhum governo, youtuber, jornalista sensacionalista e gente corrupta de merda vai agora querer caçar também o corpo dela! Deixem minha mãe em paz”, escreveu nas redes sociais.

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Na última postagem que fez, na madrugada desta segunda 4, Gabriel diz que o corpo da mãe não será ‘troféu’ e nem tocado sem consentimento.

Gabriel e a mãe, a ativista Sabrina Bittencourt

Em entrevista à Época, o jovem disse que a família não autoriza a embaixada brasileira a repassar nenhuma informação sobre a morte. O Itamaraty só divulga informações sobre a morte de terceiros sob autorização da família.

Também à revista, Gabriel disse que o velório acontecerá no Líbano dentro de alguns dias. Segundo ele, devem comparecer a namorada, o ex-marido Rafael, ele, os dois irmãos e duas líderes espirituais.

A reportagem entrou em contato com as embaixadas brasileiras em Beirute, capital do Líbano, e Barcelona para verificar se há registros da morte de uma mulher brasileira nos últimos três dias, mas não obteve resposta.

“Pra mim, a Sabrina partiu”

Maria do Carmo Lopes, a primeira a divulgar a informação oficialmente, falou pela primeira vez sobre o caso nesta segunda. A ativista conta que soube da morte da amiga por Gabriel, via recado nas redes sociais, e que acabou se confundindo ao informar o local onde ela teria sido encontrada.

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“Entendo essa angústia de vocês, eu entendo que as pessoas queiram saber. O que eu, Maria do Carmo sei e posso provar: conversei com Sabrina no sábado, três, quatro horas da tarde, quase uma hora. Conversamos longamente, conversamos sobre o desânimo de secar gelo. E não só de ter que ficar denunciando, mas se antecipar os passos dos bandidos de colarinho branco em Abadiânia (…) Sá estava muito desanimada, a sensação é de que a gente está secando gelo. Ela estava longe dos filhos, tendo que se esconder e etc. Essa foi a nossa conversa. Disse a ela que faria uma live, às 7, 8 da noite. As 18h58, Sabrina me ligou e eu não atendi”, disse a ativista em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Esse foi o último contato entre as duas antes de a carta deixada por Sabrina ser divulgada e o filho comunicar a ela a morte, relatou a ativista. Como Sabrina vivia em Barcelona e havia voltado à cidade para oferecer ajuda a uma vítima de abusos, ela inferiu que o suicídio teria ocorrido na cidade espanhola. “Sabrina foi pra lá ver isso, e eu, no cansaço, porque eu erro, disse que ela tava em Barcelona. Esqueci, esqueci realmente.”

“É isso que eu disse à imprensa. Não tenho medo que meu trabalho seja colocado em prova, foi isso que eu disse que às autoridades que me procuraram”, completou Maria do Carmo, que vive atualmente em Santa Catarina.

Maria do Carmo também descartou a possibilidade de uma “morte simbólica”, levantada por algumas pessoas que acompanham o caso como uma forma de cessar as ameaças a ela e aos filhos. “O que eu posso dizer pra vocês é que, pra mim, a Sabrina partiu. Me façam um favor, não me procurem mais.”

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