Número de mortos por bala perdida no Rio de Janeiro sobe 23% em 2019

Agentes de segurança estavam presentes em 71% dos casos de bala perdida, diz a plataforma Fogo Cruzado

A menina Agatha Felix, de 8 anos, baleada com um tiro de fuzil em 2019. Foto: Reprodução

A menina Agatha Felix, de 8 anos, baleada com um tiro de fuzil em 2019. Foto: Reprodução

Sociedade

Em 2019, a região metropolitana do estado do Rio de Janeiro registrou 7365 tiroteios e disparos de arma de fogo, uma média de 20 tiroteios por dia, que deixaram 2876 baleados. Deste total, houve 168 casos de bala perdida, em que 189 pessoas foram atingidas, das quais 53 morreram.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira 10 pela plataforma Fogo Cruzado, laboratório de dados sobre violência armada que registra, desde 2015, a incidência de tiroteios no Rio de Janeiro e em Recife.

Segundo o levantamento anual, o número de vítimas de bala perdida na região metropolitana do Rio diminuiu 16% no ano passado, mas o número de mortos aumentou 23%, se comparado a 2018, que registrou 225 vítimas de bala perdida, das quais 43 morreram. No total, foram 186 casos de bala perdida registrados.

Em 2019, das 189 vítimas de bala perdida, 71% (134) foram atingidas em situações em que havia presença de agentes de segurança, categoria que inclui policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas.

Destas 189 vítimas, 109 (equivalentes a 58%) foram baleadas durante ações policiais, como operações, patrulhamento, blitz, entre outras ações de rotina. O laboratório contabilizou 25 idosos, 20 crianças, 16 adolescentes e 6 agentes de segurança baleados; deste total, morreram 10 idosos, 5 crianças, 4 adolescentes e 1 agente.

Em 2018, 59% das vítimas (132 de 225) foram baleadas em ocasiões com presença de agentes de segurança.

Número de baleados em tiroteios aumentou

Das 2876 pessoas baleadas em tiroteios na Grande Rio (ou seja, não somente em casos de bala perdida), 1519 morreram e 1357 ficaram feridas. O número de baleados em 2019 é 1,5% maior, em relação a 2018, que registrou 2833 pessoas baleadas, com 1482 mortos e 1351 feridos.

Segundo a plataforma, 24 vítimas de balas perdidas foram atingidas quando estavam dentro de casa; 8 vítimas iam ou voltavam da escola; 4 estavam em algum meio de transporte; 1 estava dentro de um hospital; 1 no shopping; 1 dentro de uma estação de trem.

O laboratório registrou ainda 234 agentes de segurança baleados em 2019. Destes, 74 morreram. O número é 30% menor que o contabilizado em 2018, quando 334 agentes foram baleados e 113 acabaram morrendo.

Do total de tiroteios, 23 crianças foram baleadas na região metropolitana do Rio. Destas, 7 morreram. Em 2018, foram 25 crianças baleadas e 4 morreram.

Agentes de segurança estavam presentes em 52% dos casos de ferimentos de crianças, como no episódio da morte da menina de 8 anos, Agatha Félix, atingida por um tiro de fuzil dentro de uma kombi no Complexo do Alemão.

Houve ainda 88 adolescentes baleados no total de tiroteios, dos quais 53 morreram. O número é superior ao registrado em 2018, 86 baleados, dos quais 42 morreram.

Crianças e adolescentes representam 4% do total de vítimas de tiroteios em 2019 (2876).

O laboratório divulgou também que 41 idosos foram baleados na região em 2019, dos quais 24 morreram. O número de idosos baleados é 5% menor do que em 2018, que registrou 43 vítimas. No entanto, o número de idosos que morreram é 20% maior, totalizando 20 vítimas fatais.

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Repórter do site de CartaCapital

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