Sociedade

Motoristas de aplicativos fazem paralisação e cobram melhores condições de trabalho

A reinvindicação é por reajuste do valor mínimo das corridas e do preço da quilometragem oferecidos por empresas como 99 e Uber

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Motoristas de aplicativos iniciaram uma paralisação nacional nesta segunda-feira 15 para reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas a revisão do valor repassado pelas empresas.

Embora não haja um número preciso sobre as adesões, há manifestações em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí, Ceará, Paraná e Santa Catarina.

Em entrevista a CartaCapital, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos do Estado de São Paulo, Leandro da Cruz Medeiros, esclareceu que há uma reivindicação pelo reajuste do valor mínimo das corridas e do preço da quilometragem oferecidos pelas plataformas.

“Não dá mais para aceitar o mínimo. A gente pede que o valor mínimo da corrida não seja mais 5,62 reais, mas 10 reais, pelo menos duas passagens de ônibus“, defendeu. “Também pedimos ao menos um valor de 2 reais por quilometragem, para que a gente possa fazer um bom atendimento ao cliente e para que o trabalhador tenha condições de fazer a manutenção do veículo e garantir seu sustento em casa.”

Segundo Medeiros, a categoria não tem um reajuste há nove anos. “A nossa luta é contra a 99, a Uber e a InDrive, que hoje opera no Brasil com força. Elas vêm explorando o trabalhador sem dar nenhum tipo de subsídio”, prosseguiu. “Estamos há nove anos sem nenhum tipo de aumento, nenhum tipo de conversa com essas plataformas, que trabalham do jeito que querem no Brasil.”

“Em dias como esse, de paralisação, o que a gente vê são as plataformas aumentando os ganhos para que o trabalhador não faça adesão ao movimento.”

Ainda de acordo com a liderança, há uma boa expectativa por parte da categoria sobre o diálogo com o governo do presidente Lula (PT). No início de maio, a gestão federal criou um grupo para discutir uma proposta de regulamentação da atividade.

O grupo do trabalho ficou vinculado ao Ministério do Trabalho e conta com 45 integrantes, sendo 15 representantes do governo, 15 das centrais sindicais e 15 dos empregadores. A atuação do colegiado se dará por 150 dias, prorrogáveis por 150, tempo em que deverá formatar propostas para o setor, a serem posteriormente avaliadas pelo ministro Luiz Marinho.

“Uma paralisação como essa também é importante pra explicar ao trabalhador a proposta que temos junto ao governo federal”, acrescentou o sindicalista. “Queremos avançar não só com a pauta dos ganhos do trabalhador, mas também com questões de seguridade social e segurança. A partir da regulamentação, vamos ser reconhecidos como trabalhadores que somos.”

“Nos vemos contemplados com a proposta. Logo após a vitória de Lula, dia 18 já estávamos em Brasília fazendo a primeira reunião e de lá já foi tirada essa proposta de regulamentação discutida entre os sindicatos, o governo federal e as plataformas. Outros governos que passaram sequer chamaram a gente para fazer uma conversa.”

Em nota encaminhada à reportagem, a 99 apontou que adotou soluções permanentes para incrementar os ganhos no app, como Taxa Garantida, que assegura aos condutores a taxa máxima semanal de até 19,99%; e adicional variável de combustível, um auxílio no ganho que aumenta conforme o aumento do combustível. A Uber e InDrive ainda não se posicionaram.

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