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Minas Gerais tem ao menos 28 mortes após temporais

Foram confirmadas 22 mortes em Juiz de Fora e outras 6 em Ubá; número pode aumentar

Minas Gerais tem ao menos 28 mortes após temporais
Minas Gerais tem ao menos 28 mortes após temporais
Créditos: Pablo PORCIUNCULA / AFP
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Pelo menos 28 pessoas morreram na região da Zona da Mata, sudeste de Minas Gerais, após fortes chuvas na noite de segunda-feira 23 e na madrugada de terça 24. Até as 17h50 desta terça, eram 22 mortes confirmadas em Juiz de Fora e outras seis em Ubá, segundo o Corpo de Bombeiros.

O número pode ser maior, já que há pessoas desaparecidas. Em Juiz de Fora, 40 pessoas não foram localizadas; ao menos 3 seguem desaparecidas em Ubá.

A prefeitura de Juiz de Fora declarou estado de calamidade pública. São mais de 3 mil desabrigados até a última atualização da gestão municipal. Até as 17h24, 35 vítimas tinha sido atendidas no sistema municipal.

Em alguns pontos da cidade, houve registro de 180 milímetros de chuva durante a noite e a madrugada. O volume é superior à média histórica para todo o mês de fevereiro, que é de 170 milímetros. Segundo a prefeitura, o acumulado deste mês já é de 584 milímetros, de longe o fevereiro mais chuvoso da história na cidade.

Bombeiros atuando após chuvas em Juiz de Fora (MG). Foto: Pablo Porciuncula/AFP

Durante a madrugada, a prefeita Margarida Salomão (PT) assinou decreto de calamidade. Segundo o primeiro balanço, havia pelo menos 20 soterramentos. O rio Paraibuna, que corta a cidade, transbordou em diversos pontos.

Segundo a Defesa Civil, cerca de 440 pessoas ficaram desabrigadas em Juiz de Fora. As aulas na rede pública foram suspensas, e duas escolas foram adaptadas para receber as pessoas que tiveram que deixar suas casas.

O corpo de bombeiros registrou centenas de chamados. Além dos soterramentos, há casos de desabamentos de imóveis e muros, pessoas ilhadas e presas em imóveis, quedas de árvores e veículos arrastados.

Chuvas causaram diversos estragos em Juiz de Fora – Foto: Reprodução/Prefeitura de Juiz de Fora

A prefeitura da cidade acionou a Defesa Civil Nacional e a Defesa Civil Estadual, que se comprometeram a enviar ajuda. A orientação é para que as pessoas evitem circular pelas ruas, exceto em situações de emergência.

Algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) precisaram interromper os atendimentos. O Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS) está operando com atendimento prioritário para casos de urgência e emergência. A prefeitura pediu que a população procure a unidade apenas em casos graves.

Pouco depois das 14h desta terça-feira, a prefeitura anunciou a evacuação total de dezenas de ruas nos bairros Três Moinhos, Vila ideal, Esplanada e Paineiras. A medida deve afetar cerca de 600 famílias.

Quinze escolas municipais foram transformadas em abrigos provisórios para famílias desabrigadas. São elas:

– EM Adhemar Resende (no bairro São Pedro)
– EM Áurea Bicalho (Linhares)
– EM Belmira Duarte (JK)
– EM Dante Jaime Brochado (Santo Antônio)
– EM Dilermando Cruz (Vila Ideal)
– EM Fernão Dias (Bandeirantes)
– EM Gabriel Gonçalves (Ipiranga)
– EM Henrique José (Cidade do Sol)
– EM Irineu Guimarães (São Benedito)
– EM Marlene Barros (Marumbi)
– EM Murilo Mendes (Grajaú)
– EM Nilo Ayupe (Paineiras)
– EM Paulo Japyassu (Parque Guarani)
– EM Paulo Rogério (Monte Castelo)
– EM Raymundo Hargreaves (Bom Jardim)

Ubá

Em Ubá, o acumulado de chuvas chegou a 170 milímetros. A prefeitura disse que a cidade viveu “a maior inundação dos últimos anos”, que causou “danos severos em diferentes regiões da cidade”. O rio Ubá, que dá nome à cidade, subiu quase oito metros, causando alagamentos em diversos bairros. Também foi decretado estado de calamidade pública.

“Os dados ainda estão em fase de consolidação, pois há ocorrências em andamento e a situação permanece dinâmica em virtude da instabilidade climática e das dificuldades de acesso a alguns pontos”, registrou a prefeitura da cidade, onde as aulas da rede pública e atendimentos não essenciais na rede de saúde foram suspensos.

As chuvas causaram estragos em outros municípios da região, como Matias Barbosa, que teve registros de alagamentos durante a madrugada. Ruas da cidade seguiam intransitáveis ainda na manhã desta terça.

O governo federal informou que reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora. Em postagem nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que uma equipe da Força Nacional do SUS será enviada à região, bem como a Defesa Civil Nacional. Lula retorna ao Brasil após viagem à Ásia, e foi informado sobre o caso em escala nos Emirados Árabes.

“Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva”, publicou a conta de Lula no X.

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