Sociedade

Idosa é resgatada em depósito de casa de elite em situações análogas à escravidão

Idosa estava abandonada em depósito sem banheiro por acusadas influentes no mercado de cosméticos

(Foto: Ministério Público do Trabalho)
(Foto: Ministério Público do Trabalho)
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Uma idosa foi encontrada abandonada em condições precárias no depósito de uma casa no bairro Alto dos Pinheiros, em São Paulo, região nobre da capital. Segundo uma denúncia do Ministério Público do Trabalho, a idosa trabalhava em condições análogas à escravidão e estava sem acesso ao banheiro desde que os patrões, Mariah Corazza Üstündag e Dora Üstündag, deixaram a casa para passar dias em Cotia, interior de São Paulo.

Segundo reportado pela Folha de S. Paulo, Mariah chegou a ser presa em flagrante na última quinta-feira (18), mas foi solta após pagar fiança de R$ 2.100. Dora também foi indiciado pela Polícia Civil.

Mariah é filha de Sônia Corazza, uma engenheira química conhecida no ramo da indústria dos cosméticos, que também foi denunciada na ação trabalhista movida pelo MPT. Isso porque a vítima trabalhava na residência desde 1998 “sem registro em carteira, sem férias ou 13º”, diz o órgão.

“Mas em 2011, segundo depoimentos colhidos, a casa em que morava foi interditada e a patroa ofereceu para que ela fosse morar na casa de sua mãe, onde ficou cerca de cinco anos. De acordo com depoimentos, naquele mesmo ano a patroa passou a residir em outra cidade, mas manteve seus serviços para servir à uma das filhas que continuou na casa. A partir de então, a doméstica passou a receber cerca de 400 reais, esporadicamente, ainda que continuasse a realizar todos os serviços, exceto cozinhar.”, descreve o MPT por meio de nota.

Devido a uma denúncia anônima, foi possível resgatar a idosa, que estava “morando em um depósito de tralhas e móveis no quintal da casa, dormindo em um sofá velho, sem receber alimentação, sem acesso a banheiro e sem salário regular.”. Questionada pela polícia, Mariah afirmou que a empregada tinha acesso ao banheiro da lavanderia, e que a porta só teria sido fechada um dia antes da operação policial.

“O que a equipe encontrou no local e os relatos ouvidos de testemunhas confirmaram a situação de trabalho escravo moderno, agravada pela vulnerabilidade da vítima.”, confirma o MPT.

Para além dos maus tratos de mais de 20 anos, em maio a vítima sofreu um grave acidente de trabalho e não foi socorrida, “tendo passado uma semana com dores e hematomas, sem receber alimento ou cuidados”, apontaram depoimentos.

A procuradora do trabalho Alline Pedrosa Oishi Delena ajuizou uma ação cautelar contra a família pedindo pagamento imediato do valor correspondente a um salário mínimo por mês à vítima até o julgamento final do processo. Em decisão liminar, a juíza que conduz o caso acolheu os pedidos de bloqueio de bens e de expedição do alvará para o recebimento do seguro-desemprego, deixando para após novas oitivas a decisão sobre o pagamento de um salário mínimo por mês até o julgamento final do processo.

Mariah Corazza e Dora Üstündag vão responder criminalmente por omissão de socorro, abandono de incapaz e por redução a condição análoga à de escravo. A mãe de Mariah, Sônia Corazza, também está envolvida na ação trabalhista.

CartaCapital
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