Sociedade
Holanda investiga Roblox por falhas na proteção de menores
Plataforma é acusada de não tomar as providências adequadas para garantir a segurança e privacidade de crianças e adolescentes e por técnicas desleais que incentivam compras
A autoridade reguladora de defesa do consumidor da Holanda iniciou nesta sexta-feira 30 uma investigação sobre o Roblox para verificar se a plataforma de jogos tem falhado em cumprir regras para proteger crianças e adolescentes de conteúdo violento e sexual.
“A plataforma aparece regularmente nas notícias, por exemplo, devido a preocupações com jogos violentos ou sexualmente explícitos aos quais menores são expostos”, afirmou o órgão, em comunicado.
A decisão de investigar o Roblox partiu ainda de relatos de que adultos usam a plataforma para aliciar menores e da existência de técnicas enganosas para incentivar compras.
De acordo com a Lei de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia, as plataformas devem tomar “medidas adequadas e proporcionais” para garantir um alto nível de segurança e privacidade para menores .
A autoridade holandesa afirmou que poderia impor uma “instrução vinculativa, multa ou penalidade” ao Roblox se concluir que as regras foram violadas. A investigação deve durar um ano e se aplica a toda a UE.
Um porta-voz do Roblox disse à AFP que a plataforma estava “fortemente comprometida” em cumprir as regras da DSA e disposta a fornecer “mais clareza” sobre suas ações.
Avanço na verificação de idade é suficiente?
O Roblox é um ambiente virtual que reúne experiências interativas criadas pelos próprios usuários, em sua maioria crianças e adolescentes. Nele, milhões de jogadores desenvolvem mundos, jogos e simuladores, podendo jogar com outras pessoas, bater papo e até ganhar dinheiro com suas criações.
A plataforma tem sido reiteradamente acusada de ignorar leis de segurança e favorecer a atuação de predadores sexuais. Nos Estados Unidos , vários estados têm movido processos e investigações, como Texas, Flórida e Califórnia. O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, acusou a empresa de colocar “pedófilos virtuais e lucros corporativos” acima da segurança das crianças.
As queixas levaram a plataforma a reforçar as regras de mensagens para crianças menores de 18 anos, com moderação de conteúdo e monitoramento com inteligência artificial. O sistema de moderação visa impedir que pessoas de faixas etárias diferentes conversem entre si dentro do jogo.
No Brasil, as medidas de verificação de idade acabaram tendo um efeito cômico – protestos virtuais tomaram as “ruas” da plataforma em janeiro, com avatares carregando cartazes, muitos com erros de português, pedindo a liberação do chat.
A ferramenta de verificação de idade do Roblox, no entanto, conta com brechas que permitem a adultos se passarem por crianças, e vice-versa, como mostrou teste feito pela Folha de S.Paulo em janeiro.
Uma pesquisa divulgada na quinta-feira 29 pela Unico, em parceria com a Ipsos, corrobora essa avaliação – 30% das crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos driblaram a idade mínima para acessar plataformas digitais no último ano
Segundo o levantamento, 57% dos adolescentes já se depararam com conteúdos inadequados no ambiente online, seja de violência extrema, conteúdo adulto ou sites de relacionamentos.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



