Greve dos petroleiros: Justiça suspende demissões no Paraná, diz FUP

Federação fala em 'vitória parcial'; trabalhadores protestaram no Rio de Janeiro, nesta terça-feira 18

Petroleiros protestaram no Rio de Janeiro, contra demissões no Paraná. Foto: Luiz Carvalho/Sindipetro

Petroleiros protestaram no Rio de Janeiro, contra demissões no Paraná. Foto: Luiz Carvalho/Sindipetro

Sociedade

O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) atendeu a um dos pontos da pauta dos petroleiros e suspendeu as mil demissões dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), segundo informou a Federação Única dos Petroleiros (FUP). A organização diz que a suspensão dura até 6 de março, dia da próxima audiência no tribunal.

Em nota, a FUP celebrou “vitória parcial importante” e disse que “permanece aberta para avançar no diálogo e na negociação com a Petrobras”.

A informação da suspensão também foi publicada pelo Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP). No Twitter, o deputado federal Jorge Solla (PT-BA) divulgou uma foto da audiência e comemorou a suspensão das demissões.

“Vitória dos petroleiros! Revogadas as mais de mil demissões na Petrobras. A primeira de muitas vitórias. Participamos da rodada de negociação com o ministro Ives Gandra e seguimos no apoio aos petroleiros em todo o Brasil”, escreveu o parlamentar.

 

Segundo a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), também presente na reunião, a manutenção dos funcionários da Fafen é “uma das condições para que pare a greve dos petroleiros”. Questionada, a FUP ainda não informou se a greve será suspensa.

Em nota, a Petrobras confirmou a decisão do Tribunal e disse que a suspensão das demissões é temporária. A estatal diz que discutirá as condições do pacote de benefícios para desligamentos de 396 empregados, de acordo com a remuneração e o tempo de trabalho. Segundo a empresa, o pacote já oferecido inclui valores até 210 mil reais, manutenção de plano médico e odontológico, benefício farmácia e auxílio educacional por 24 meses, além de uma assessoria especializada em recolocação profissional.

A FUP diz que, além dos trabalhadores diretos, mais 600 terceirizados podem ser demitidos com o fechamento da fábrica.

Nesta terça-feira 18, os petroleiros completam o 18º dia de greve. A FUP diz que mais de 21 mil trabalhadores estão mobilizados em 121 unidades do Sistema Petrobras. Segundo a organização, foram afetadas 58 plataformas, 24 terminais, 11 refinarias, 8 campos terrestres, 8 termelétricas, 3 Unidades de  Tratamento de Gás (UTGs), 1 usina de biocombustível, 1 fábrica de fertilizantes, 1 usina de processamento de xisto, 2 unidades industriais e 3 bases administrativas.

Milhares de trabalhadores foram ao centro do Rio de Janeiro, nesta terça, em caravanas de petroleiros e de outras categorias, para protestar contra as demissões. Segundo o Sindipetro-SP, às 16h, eram 15 mil pessoas em marcha na capital fluminense, com críticas ao processo de privatização da estatal.

Na segunda-feira 17, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra, decretou a greve como ilegal, atendendo a pedido da Petrobras. A decisão foi mais uma etapa da batalha judicial que os petroleiros enfrentaram para manter a legalidade da greve. Em 4 de fevereiro, o TST determinou que os sindicatos da categoria mantivessem 90% dos trabalhadores em serviço durante as paralisações. A decisão foi reiterada por liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli.

Segundo a Petrobras, a Fafen não produz resultados sustentáveis e a sua continuidade operacional não se mostra “viável economicamente”. Na sexta-feira 14, pelo menos 144 funcionários receberam comunicados de demissão. No entanto, os grevistas queimaram os documentos durante ato no mesmo dia.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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