Um mês após ataques, governo autoriza uso da Força Nacional na Terra Yanomami

Cortada por rota usada para exploração ilegal, a região é atacada por garimpeiros armados há pelo menos 35 dias

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sociedade

O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o uso da Força Nacional de Segurança para tentar conter os ataques violentos de garimpeiros à comunidade Palimiú, em Roraima. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira 14 e tem validade de 90 dias, prorrogáveis. A determinação ocorre depois de mais de um mês desde o início dos ataques de garimpeiros contra indígenas na região.

A comunidade Palimiú fica na Terra Indígena Yanomami, maior reserva em extensão territorial do Brasil, onde às margens do rio Uraricoera, em Alto Alegre, garimpeiros armados promovem ataques à comunidade desde o dia 10 de maio, 35 dias depois, o governo federal ainda não havia autorizado a Força Nacional a atuar na região.

 

Os Yanomamis estão no meio da rota utilizada pelos garimpeiros para exploração ilegal na floresta, onde uma barreira sanitária foi instalada para conter os avanços da Covid-19 na TI. Desde então, a comunidade Palimiú tem sido alvo de tiros e bombas de efeitos morais por parte dos grileiros. Os ataques já resultaram na morte de duas crianças Yanomamis, uma de 1 e outra de 5 anos, além de outros feridos.

A autorização do uso da Força Nacional na comunidade acontece semanas após as denúncias de omissão por parte do governo federal de Jair Bolsonaro. Ainda no fim de maio, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, já havia determinado que o governo tomasse medidas para proteger a Terra Yanomami.

Em reportagem publicada por CartaCapital logo após os primeiros ataques, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami, Júnior Hekurari Yanomami, denunciou a omissão dos governos federal e estadual na proteção da comunidade:

[O governo federal e estadual] estão muito omissos nisso. O povo yanomami está com medo, não estão conseguindo dormir. É muito revoltante isso”, afirmou. “Precisamos forças o governo federal a fazer uma intervenção imediata nessas comunidades”.

Na ocasião, a Justiça Federal já havia determinado que a União mantivesse efetivo armado permanente na região, mas relatos de lideranças Yanomamis mostraram que a Polícia Federal esteve na comunidade apenas por cerca de uma hora colhendo depoimentos dos seis indígenas e um missionário.

O atraso em manter um efetivo armado permanente na região resultou em novos ataques violentos, como o registrado em 16 de maio. Em vídeo publicado ainda no dia 20 de maio no Instagram do Instituto Arayara, o líder indigena Timóteo Yanomami reforçou que a PF ainda não havia chegado mesmo tendo se passado 10 dias após os primeiros ataques.

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Repórter do site de CartaCapital

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