Sociedade

Garimpeiros exigem sexo com meninas Yanomami em troca de comida, denuncia relatório

Um estudo da Hutukara Associação Yanomami relaciona o avanço do garimpo ilegal à destruição ambiental, bem como a casos de desnutrição e proliferação de DSTs

Os yanomâmis foram as principais vítimas da violência no campo ao longo deste ano
Os yanomâmis foram as principais vítimas da violência no campo ao longo deste ano
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Garimpeiros que conduzem práticas ilegais nas terras indígenas Yanomami oferecem comida em troca de sexo com adolescentes das comunidades. A denúncia consta de um relatório da Hutukara Associação Yanomami divulgado nesta segunda-feira 11.

No documento, pesquisadores apontam que, em 2020, três adolescentes de 13 anos morreram em decorrência do abuso praticado pelos garimpeiros.

“Depois que os garimpeiros que cobiçam o ouro estragaram as vaginas das mulheres, fizeram elas adoecer. Por isso, agora, as mulheres estão acabando, por causa da letalidade dessa doença. Estão transando muito com as mulheres”, destaca trecho do estudo Yanomami sob ataque: garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo.

“Os garimpeiros estupraram muito essas moças, embriagadas de cachaça. Elas eram novas, tendo apenas tido a primeira menstruação. Após os garimpeiros terem provocado a morte dessas moças, os Yanomami protestaram contra os garimpeiros, que se afastaram um pouco. As lideranças disseram para eles que, estando tão próximos, se comportam muito mal. Por isso, outros Yanomami os apelidam de ‘letalidade da malária'”.

O estudo aponta que o avanço do garimpo ilegal é prejudicial não só do ponto de vista da destruição ambiental, mas pela proliferação de doenças sexualmente transmissíveis e de casos de desnutrição.

Em 2021, houve um avanço de 46% das práticas de garimpo ilegal na comunidade Yanomami em relação a 2020. De 2016 a 2020, o garimpo na Terra Yanomami cresceu 3.350%, conforme o estudo. A prática afeta mais de 16 mil pessoas, atingindo diretamente 273 comunidades.

A Terra Indígena Yanomami é a maior reserva do País, com mais 10 milhões de hectares distribuídos por Amazonas e Roraima. Há mais de 28,1 mil indígenas na região, incluindo os isolados, em 371 aldeias.

O estudo cobra a efetividade de medidas para proteger a comunidade, como o desenvolvimento de uma ação de proteção territorial com a manutenção de bases de proteção etnoambientais em locais estratégicos.

Também reforça o papel complementar das agências reguladoras, caso da Agência Nacional de Telecomunicações, que é citada como fundamental para identificar e responsabilizar pessoas envolvidas na instalação e na manutenção de redes de radiofonia e internet que dão suporte aos garimpeiros.

O estudo cita ainda a Agência Nacional de Aviação Civil, com a fiscalização da operação irregular de aeronaves e pistas de pouso.

Há também a necessidade de se avançar no aprimoramento das normas legais e infralegais que regulamentam a cadeia do ouro nacionalmente. Conforme o documento, “a atual legislação não garante transparência suficiente para a cadeia e, de certa forma, dá margem para operações fraudulentas e práticas de lavagem de dinheiro entre outros crimes”.

Por fim, o estudo reforça a importância de projetos que ofereçam uma alternativa de renda para as comunidades indígenas vizinhas às áreas de garimpo. “Tais iniciativas são relevantes sobretudo para neutralizar o assédio dos garimpeiros aos jovens Yanomami, que com frequência são seduzidos pelas promessas de bens e dinheiro que o trabalho no garimpo oferece.”

CartaCapital
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