Sociedade

Funcionárias da Globo protestam após novo caso de assédio sexual vir à tona

O caso, ocorrido entre os anos de 2017 e 2018, foi revelado em reportagem da revista ‘piauí’

Créditos: Reprodução Redes Sociais
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Funcionárias da Rede Globo deram início a uma manifestação na emissora na segunda-feira 22 contra casos de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

Batizada de ‘Movimento Esmeralda’, a manifestação teve início depois que uma reportagem da revista piauí, publicada na sexta-feira 19, revelou um novo caso de violência contra uma funcionária que trabalhou na emissora entre os anos de 2017 e 2018. A reportagem usou o nome fictício de Esmeralda para se referir à vítima, que teme retaliações.

Jornalistas, repórteres e apresentadoras como Ana Maria Braga e Patricia Poeta foram à emissora usando roupas verdes em apoio à vítima, e registraram fotos com cartazes com a hashtag #mexeucomumamexeucomtodas. Cerca de 80 funcionárias se uniram pedindo providências e medidas mais duras da empresa contra as situações de abuso.

À reportagem, Esmeralda, que é engenheira e foi contratada pela emissora para cuidar da transmissão de programas jornalísticos e esportivos, narrou ter sofrido violência de quatro homens, colegas de trabalho, em diferentes situações. Os casos envolvem assédio sexual, assédio moral, xenofobia, e até estupro.

Conforme o relato da vítima, um dos abusadores tocou suas partes íntimas e coxas. Noutra ocasião, segundo ela, um homem encostou o pênis ereto. Em todos os casos, segundo a vítima, os homens a ameaçavam em caso de denúncia, argumentando estarem ‘blindados’ pelo tempo de emissora que possuíam.

Afastada da emissora por problemas de saúde como depressão e burnout, a vítima foi à Justiça trabalhista contra a Rede Globo somente quatro anos após o ocorrido, por sentir-se fragilizada. A ação foi ajuizada na Comarca de Campina Grande, na Paraíba, onde a vítima nasceu e voltou a morar depois de se afastar da emissora. Esmeralda ganhou uma indenização no valor de 2 milhões de reais. O canal propôs um acordo, que não foi aceito, e depois recorreu – o caso está no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.

Também corre em paralelo uma ação civil pública ajuizada contra a Globo pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro. O procurador Francisco Araújo, que protocolou a ação contra a emissora, também cuidou de colher, juntamente com a procuradora Fernanda Barbosa Diniz, ao longo de 2021, os depoimentos de homens e mulheres que fizeram denúncia contra Marcius Melhem ao departamento de compliance da Globo, também acusado de assédio moral e sexual. O ex-diretor do núcleo de humor da Globo, demitido em agosto de 2020, nega todas as acusações.

Na quinta-feira 25, Esmeralda prestará depoimento em uma audiência de instrução na 36ª Vara do Trabalho, do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem da piauí, dos quatro acusados de assédio, apenas um permanece trabalhando na Globo.

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