Sociedade
Funai diz não ser responsável por indígenas que ocupam Museu do Índio
Grupo que vive no local, ameaçado de demolição devido a obras da Copa do Mundo, pediu ajuda do órgão para permanecer no prédio
A Fundação Nacional do Índio (Funai) afirmou, em nota, nesta quinta-feira 17 que não é responsável direta pelos indígenas de 17 etnias que ocupam o antigo prédio do Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Cerca de 20 famílias estão no prédio ocupado há seis anos e que deve ser demolido para a construção do complexo do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. O grupo tem pedido ajuda ao órgão para se manter no local.
“A Funai esclarece que a responsabilidade pelas políticas públicas para os cidadãos brasileiros, incluindo indígenas, é do governo como um todo: União, estados e municípios”, diz o texto. “A Funai esclarece ainda que não tem como finalidade atender demandas dos indígenas, individualmente, e que não há políticas específicas e diferenciadas para atendimento de índios na cidade.”
Os indígenas estão ameaçados de desocupação desde sábado 12, quando a polícia militar cercou o prédio, mas depois recuou. Na quarta-feira 16, o grupo recebeu da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos um documento assinado pelo secretário Zaqueu Teixeira e pelo governador Sérgio Cabral no qual ambos se comprometem a realocar os indígenas. Houve também a promessa de se criar um centro de referência da cultura indígena. Está sendo estudado também a possibilidade de conceder aluguel social às famílias, caso concordem com a saída.
O Ministério Público Federal entrou na Justiça na segunda-feira 14 com pedido para impedir a demolição do antigo museu. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região julga a reintegração de posse do local por parte do governo do estado.
Os indígenas defendem que o prédio deve ser tombado por seu valor histórico, mas o governo do estado alega que a demolição servirá para melhorar o fluxo de torcedores que irão ao Maracanã na Copa.
O Museu do Índio foi inaugurado em 1953, passando a realizar exposições museográficas e a disponibilizar conteúdo etnológico. No prédio, que pertencia ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI), trabalharam Darcy Ribeiro, Eduardo Galvão e Roberto Cardoso de Oliveira.
O Museu continuou funcionando no local até 1977, quando foi transferido para Botafogo.
Com informações Agência Brasil.
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