Sociedade

Fazendeiros armados atacam indígenas Avá Guarani no oeste do Paraná

O cerco armado estendeu-se pela madrugada e deixou quatro indígenas gravemente feridos; entidade indígena aponta negligência da Força Nacional

Fazendeiros armados atacam indígenas Avá Guarani no oeste do Paraná
Fazendeiros armados atacam indígenas Avá Guarani no oeste do Paraná
Indígenas Avá-Guarani são alvejados com estilhaços de disparos de espingarda proferidos por Fazendeiros. Foto: CIMI/Divulgação
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Fazendeiros armados atacaram indígenas da comunidade Avá Guarani do Tekoha Y’hovy, na madrugada desta quinta-feira 28, no município de Guairá, no Paraná. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, quatro indígenas estão internados em estado grave.

O ataque começou por volta das 23h da quarta-feira 27, e se estendeu durante toda a madrugada. De acordo com o Cimi, os fazendeiros e seus capangas usavam espingardas, cuja munição explode espalhando chumbo contra o corpo dos atingidos.

Durante o ataque, indígenas transmitiram ao vivo o confronto. No vídeo não é possível visualizar os agressores pela baixa luminosidade, apenas reflexos das lanternas de veículos, mas é possível ouvir uma gritaria seguida de disparos distantes espaçados. Os Avá Guarani reivindicam a conclusão da demarcação da TI Tekoha Guasu Guavirá, interrompida em 2020 e alvo de processos na Justiça.

A Força Nacional foi acionada para interromper o confronto, mas segundo fontes ouvidas pelo Cimi, os policiais demoraram a chegar no local e os disparos não cessaram mesmo após a presença dos oficiais.

Os quatro indígenas feridos, três mulheres e um homem, foram socorridos pela manhã com a chegada de um motorista da Secretaria Especial de Saúde Indígena, a Sesai.

Questionada por CartaCapital sobre a atuação policial e a denúncia de demora no atendimento às vítimas, a Secretária de Segurança Pública do Município de Guairá reforçou que cabe à Força Nacional atender conflitos envolvendo disputa por terras indígenas.

Na tarde desta quinta-feira, enquanto ocorria em Brasília a reunião de ‘pacificação’ sobre a lei do Marco Temporal, não-indígenas retornaram às imediações da TI Tekoha Guasu Guavirá e atearam fogo no local. Indígenas alertam para o risco de que novos ataques ocorram nesta madrugada.

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