Sociedade

Famílias negras e pobres estão mais sujeitas a tragédias ambientais, mostra estudo

Levantamento realizado pelo Instituto Pólis nas cidades de Belém, Recife e São Paulo aponta ainda que lares chefiados por mulheres são os mais prejudicados

Favela de Paraisópolis (Foto: Wikimedia Commons)
Favela de Paraisópolis (Foto: Wikimedia Commons)
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Populações negras e de baixa renda são as mais afetadas pelos desastres ambientais nas capitais brasileiras, por ocuparem territórios em que não são garantidos serviços básicos de saneamento. É o que mostra um estudo realizado pelo Instituto Pólis nas cidades de Belém, Recife e São Paulo. As moradias chefiadas por mulheres despontam como as mais prejudicadas.

Para chegar à conclusão, o instituto mapeou áreas de risco nas três capitais, mais suscetíveis a ocorrências de inundações ou deslizamento de terra, e cruzou esses dados com o perfil socioeconômico das famílias que ocupam essas áreas.

No Recife, foram mapeadas 677 áreas com risco geológico. Os territórios que mais sofrem risco de deslizamento, por exemplo, se encontram nas áreas de menor renda dos morros da zona norte da cidade, como de Caxanguá e de Ibura. Nessas localidades, 68% da população é negra; e 26,8% dos lares são chefiados por mulheres que ganham até um salário mínimo.

O retrato é bastante parecido nos territórios que têm risco de inundação, que se concentram em áreas de mangue em bairros como Afogados, Jardim São Paulo, Iburas e Areias. Nessas localidades, 59% da população é negra e 22% dos lares são chefiados por mulheres negras.

Em Belém, foram mapeadas 125 áreas de risco, 93 sinalizadas com risco ‘muito alto’ para inundação ou erosão e 32 como rico ‘alto’. Novamente, as regiões não coincidem com os bairros de maior poder aquisitivo da capital, caso de como Nazaré e Batista Campos, onde também a proporção da população branca é maior.

Nas áreas com situação de risco, a população negra soma 75% do total, enquanto a média geral de Belém é de 64%. A renda média nos domicílios de setores com alguma área de risco é de R$1,7 mil, 32% menor que a média geral da cidade, de R$2,5 mil. Uma em cada cinco moradias (21%), nas áreas de risco, é chefiada por mulheres de baixa renda, com até um salário mínimo. Essa taxa é de 16% na cidade de Belém.

Em São Paulo, as áreas com perigo de deslizamento ou solapamento do solo, que chegam a 1.314, também se concentram majoritariamente em regiões de menor concentração de renda e maior presença de população negra.

Na cidade, famílias que vivem em setores com áreas de risco têm renda domiciliar média de R$1,6 mil, 54% menor que a média municipal de R$3,5 mil. Nas áreas com risco de deslizamento, a proporção de população negra é de 55%, contra 37% na cidade. Mulheres que ganham até 1 salário mínimo, responsáveis pelo domicílio, são 12,6% nas áreas com algum grau de risco geológico, e 8,4% na da capital paulista.

O estudo aponta ainda que os impactos ambientais nas cidades não são apenas fruto de eventualidades climáticas, mas socialmente produzidos a partir da desigualdade no território urbano. Nesse sentido, os pesquisadores defendem a construção de uma composição mais representativa e mais progressista no Congresso Nacional para alavancar as agendas do direito à cidade e da justiça socioambiental.

Eleger mulheres negras, indígenas e pessoas trans também é combater as injustiças socioambientais e o racismo ambiental.”

CartaCapital
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