Sociedade

EUA: Igreja evangélica influenciou voto em Trump, diz representante brasileiro

‘Nós não votamos em nenhum candidato que não prioriza a família nuclear’, diz pastor Leidmar Celso Lopes

PASTOR Leidmar Cesar Lopes. REPRODUÇÃO/FACEBOOK/Brazilian Complete Count Committee-2020 Census
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Durante a campanha eleitoral, o presidente Donald Trump contou com uma importante base de apoio para ganhar eleitores: os evangélicos, que o enxergam como o político mais alinhado e defensor de seus valores e princípios. Presidente da Associação dos Pastores Evangélicos Brasileiros nos Estados Unidos, Leidmar Celso Lopes participou de vários eventos de campanha do republicano e confirmou que os líderes religiosos exerceram influência na comunidade para votar pelo republicano.

“No Brasil, temos a ideia muito forte que a separação da religião é algo polarizante. Norte e sul e ninguém se mete no quadrado de ninguém. Nós aprendemos, inclusive pela prática da igreja evangélica norte-americana, seja qual for a igreja, que ela faz parte do sistema, principalmente nestes dias em que estamos vivenciando o processo eleitoral para a presidência dos Estados Unidos. A Igreja não se omite de forma alguma”, diz o pastor da Igreja Batista sueca.

”Claro que os púlpitos das igrejas não são oferecidos para políticos, mas os pastores e as igrejas orientam e ensinam seus fiéis sobre como melhor votar, e votar claramente nas bandeiras e princípios dos valores que são mais aproximados com os princípios e valores que aprendemos com a palavra de Deus. Não é uma questão partidária, é uma questão de princípios e valores pertinentes com os princípios da caminhada de fé da igreja”, acrescenta Leidmar.

“Não há indicação de candidato. Existem questões ideológicas fortes e nós estudamos, a partir da palavra de Deus, os princípios e valores que devem nortear a vida de uma pessoa na hora de escolher um candidato”, argumenta.

Goiano vivendo há mais de três décadas nos Estados Unidos, ele fundou há 24 anos a associação para dar suporte e facilitar a integração dos pastores que chegam ao país, além de criar uma uma rede de atuação conjunta. Atualmente, a entidade reúne 1.600 pastores de várias denominações, como Batista Renovada, Assembleia de Deus, Presbiteriana e outras igrejas neopentecostais. Eles estão espalhados por diferentes regiões dos Estados Unidos.

Durante a campanha, os pastores atuaram para defender uma agenda com foco na importância da família tradicional. “Nós não votamos em nenhum candidato que não prioriza a família nuclear. Família, para nós, significa um homem e uma mulher, e eles terão sua prole, seus filhos. Em primeiro lugar, a família nuclear, sem negociar. Segundo lugar, somos completamente a favor da vida e totalmente contra o aborto”, exemplifica.

Fechamento dos locais de culto em meio à pandemia 

Durante a pandemia, autoridades de diversos estados decretaram o fechamento ou limitações à abertura dos locais de culto, para evitar a propagação do novo coronavírus. A medida desagradou aos pastores, que ficaram privados temporariamente da prática religiosa junto aos fiéis. “Somos a favor da liberdade religiosa, precisamos ter nossa plataforma para falarmos e vivermos a nossa fé com liberdade. Não podemos votar em um candidato que venha oprimir a liberdade religiosa. Neste momento, há vários bolsões pelo país, que por conta de toda a polarização pela Covid-19 quiseram suprimir e colocar travões nas igrejas para elas não poderem reunir. Isso inclusive é inconstitucional.”

Liedmar faz parte de um grupo de líderes religiosos próximos de Donald Trump e inclusive já participou de eventos com o presidente republicano antes e durante a campanha eleitoral.

“Donald Trump tem feito um excelente trabalho, não apenas na campanha, mas nos últimos quatro anos. E não somente para a comunidade evangélica, mas para toda a sociedade. Ele tem a envergadura para defender os princípios que nós defendemos”, afirma, tecendo críticas indiretas ao governo democrata de Barack Obama .

“Trump cumpriu o que prometeu. O governo anterior [de Barack Obama] cortou muito a voz evangélica nos Estados Unidos. Reprimiu muito. Quando ele [Trump] entrou no poder, reverteu totalmente o processo. O governo anterior estava fazendo tudo numa medida muito ideologizada, castrando completamente a voz e a opinião de nós, pastores. Se continuassem naquela direção, nós certamente teríamos muitos presos hoje nos Estados Unidos.”

Liedmar ressalta que a comunidade evangélica no país é capaz de pesar no cenário político. “O peso dos evangélico é gigantesco. A comunidade evangélica, não só a brasileira, mas um todo, como nação, ela exerce uma força muito grande em toda a matriz social. No momento de votar, o povo evangélico não pode se acovardar por não defender seus princípios e valores. E quando há a manifestação organizada de trabalho, didaticamente organizado, aqueles que tinha medo de se expressar e falar começam a ter voz e agir. Começam a votar de acordo. Antes, tinham de ficar calados, até mesmo nos ambientes segregacionistas de trabalho. Não se falava ‘eu votei no Trump’ nesses ambientes”, diz.

Diante da possibilidade de vitória de Joe Biden na eleição presidencial este ano, ele analisa a repercussão junto à comunidade evangélica: “Nós somos educados e éticos. Se ele for nosso presidente, valos orar e cooperar com ele em tudo aquilo que for possível e que não for contra os princípios e valores da nossa fé”.

Melhorar participação brasileira

As ambições da associação e do movimento evangélico vão além do trabalho de assistência social e espiritual da comunidade. Segundo Liedmar, as igrejas podem exercem um importante papel para os brasileiros se organizarem e terem maior influência no cenário político local e nacional.

“As igrejas espalhadas pelo país são o maior centro cultural e assistencial para a comunidade brasileira. Já estamos indo para a terceira geração de brasileiros na América do Norte. Estamos empenhados em criar uma verdadeira comunidade que tenha verdadeiramente uma expressão não somente para si mesma, mas dentro do contexto do país”, sublinha o pastor.

“Com a associação, já começamos a ter expressão em nível nacional e ter a influência que têm os cubanos, os mexicanos e até os poloneses no Michigan, os chineses na Califórnia, os indianos em Atlanta. Nós queremos mostrar para a comunidade brasileira que não podemos só estar aqui sugando de canudinho: temos que investir e fazer diferença neste lugar”, defende.

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