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Embaixada brasileira no Líbano não registrou morte nos últimos dias

Sociedade

O alegado suicídio da ativista Sabrina Bittencourt ainda carece de detalhes. A família informa que a ativista que desmascarou o médium João de Deus morreu no Líbano. Mas a Embaixada no Brasil em Beirute, capital do país árabe, desconhece a morte da ativista. O Ministério das Relações Exteriores idem.

Em resposta a CartaCapital, o Setor Consular da embaixada informou que “não há registro de óbito de qualquer nacional brasileiro no Líbano no mês de fevereiro corrente”.

O movimento Vítimas Unidas, do qual Sabrina era parte, é a única instituição a confirmar a morte. De acordo com o comunicado divulgado pela ativista Maria do Carmo Lopes, Sabrina morrera por volta das 21h do sábado, em Barcelona. Mas, segundo o filho mais velho da ativista, a morte teria ocorrido no Líbano.

De acordo com o MRE, nenhum familiar da ativista procurou autoridades brasileiras até agora, nem em Barcelona e nem no Líbano. Em nota, o ministério está buscado mais informações em ambos os países mas que, até o momento, a morte segue sem confirmação.

“Os setores de assistência da Embaixada em Beirute e do Consulado em Barcelona estão buscando junto às autoridades libanesas e espanholas mais informações sobre o caso e estão prontos para prestar assistência consular, se cabível”, diz o texto.

As informações repassadas por Gabriel Baum, 16 anos, são diferentes nas divulgadas pela ONG. Em posts publicados no domingo, ele conta que se encontrou com a mãe pela última vez em Paris, antes de ela seguir para Barcelona e, mais tarde, para o Líbano com a namorada, que estaria cuidado dos trâmites do sepultamento.

“Minha mãe pediu para ser enterrada debaixo de sua oliveira onde ela tinha paz para escrever seus livros”, escreveu.

Em entrevista à revista Época por aplicativo de mensagens, Gabriel Baum disse que a mãe morreu em uma comunidade no país e que o velório deve ocorrer nos próximos dias. “Nenhuma polícia, governo ou hospital atestará a morte da minha mãe”, disse.

Sempre que um cidadão brasileiro morre no exterior, é preciso registrar o óbito em uma repartição consular do país. Caso não haja nenhum familiar brasileiro da vítima no local, um estrangeiro pode fazê-lo. A certidão consular de óbito deverá ser transcrita no Brasil.

Leia também: Sabrina Bittencourt, a mulher que desmascarou João de Deus

Familiares estão angustiados com a falta de notícias sobre o ocorrido. A mãe de Sabrina, que vive no interior de São Paulo e o pai, que mora em Recife, teriam perdido o contato com a filha há cerca de 10 anos, logo após o nascimento dos dois filhos mais novos dela.

Uma pessoa próxima ouvida por CartaCapital sob condição de anonimato, diz que a família não descarta a possibilidade de “morte simbólica” por conta de ameaças. “Se for pela proteção dela, menos mal.”

Entenda o caso

Sabrina Bittencourt ajudou a revelar as centenas de denúncias contra João de Deus e Prem Baba, por meio de uma rede de apoio com outras ONGs, jornalistas, ativistas espalhados pelo mundo. O médium foi acusado formalmente por 19 casos de abuso a pacientes de seu “hospital espiritual” em Abadiânia.

A notícia da morte de provocou forte comoção nas redes sociais. Políticos, artistas e prestaram homenagens a Sabrina, destacando seu empenho em trazer a tona os casos de abusos sexual envolvendo líderes religiosos.

No sábado 2, às 20h05, Sabrina escreveu nas redes sociais que logo se juntaria a Marielle Franco. “Marielle me uno a ti. Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos”, diz um trecho da carta que ela teria deixado aos familiares.

Uma das últimas pessoas a conversar com ela antes da alegada morte, a ativista Maria do Carmo, contou que Sabrina estava abatida e muito preocupada com as represálias e ameaças que recebia de pessoas ligadas a João de Deus. “Sá estava muito desanimada, a sensação é de que a gente está secando gelo. Ela estava longe dos filhos, tendo que se esconder”.

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