Documentário retoma luta pela Fundação Palmares e pede saída de Sérgio Camargo

Produção contou com o apoio e o depoimento do pai de Camargo

Ilustração de Zumbi dos Palmares (Foto: Reprodução)

Ilustração de Zumbi dos Palmares (Foto: Reprodução)

Sociedade

Intelectuais e professores negros idealizaram a produção de um documentário que retoma a história de luta do movimento negro por direitos e defende a saída do atual presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, do comando da pasta. O filme ainda conta com o apoio e o depoimento do pai de Sérgio, o poeta e escritor Oswaldo de Camargo.

Chamado “Vozes Negras por Palmares”, o documentário está disponível no Youtube [veja abaixo] e tem o objetivo de ser uma “breve aula sobre a atuação do movimento negro na luta por uma sociedade justa, equânime e igualitária”, segundo os idealizadores, que fazem parte do Coletivo de Intelectuais Negras e Negros.

O movimento é um dos alvos de Camargo, que teve áudios divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo nos quais se referia ao movimento negro como “escória maldita”. Na ocasião, ele também afirmou que Zumbi era “filho da p*ta que escravizava pretos”, criticou o Dia da Consciência Negra, falou em demitir “esquerdista” e usou o termo “macumbeira” para se referir a uma mãe de santo.

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal (PRDC-DF) que avaliasse a abertura de um processo investigativo contra Camargo. Na análise do procurador federal dos direitos do cidadão, Carlos Alberto Vilhena, a fala do presidente da fundação pode ser enquadrada como improbidade administrativa e racismo.

Nas redes sociais, a ex-ministra Nilma Lino Gomes escreveu, por ocasião do lançamento do documentário,  que “a Palmares não surgiu e nunca foi um órgão desgovernado e contrário ao Movimento Negro como ela vem se tornando no governo atual. Pelo contrário, o seu projeto original nasce das lutas antirracistas”.

“A nova geração negra e não negra nem sempre conhece essa história. Por isso, assistir ao vídeo pode ser um momento educativo”, completou Nilma.

Assista ao documentário completo:

 

 

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