Sociedade

Deputado denuncia Fátima Bernardes à PF por apresentação de Ludmilla

O parlamentar do PSL não foi o único a se manifestar contra o programa ‘Encontro’ nas redes sociais

A apresentadora Fátima Bernardes (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)
A apresentadora Fátima Bernardes (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)
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O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) protocolou junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da União (PGR) uma notícia-crime contra a apresentadora Fátima Bernardes, do programa “Encontro”, da Rede Globo, por uma apresentação da cantora Ludmilla em dezembro. Segundo o deputado, a música “Verdinha”, cantada no programa no dia 23 de dezembro, representaria uma apologia às drogas feitas em horário inadequado.

“Extrapolando os limites da liberdade de imprensa e da confiança depositada pelos pais, a apresentadora Fátima Bernardes exalta o conteúdo impróprio da música “Verdinha” e infringe a lei”, escreveu o deputado em um ofício enviado ao procurador-geral da República, Antônio Aras.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, também se pronunciou publicamente contra Ludmilla. Em vídeo postado no Twitter na segunda-feira 6, Terra atribuiu a música a um “lobby descarado para a legalização da maconha” e acusou a cantora de cometer um crime.

“Ela [Ludmilla] fuma maconha o tempo todo, chama de apelido, diz que maconha é uma coisa boa. Isso é uma afronta à sociedade. A maconha é uma droga ilegal, proibida por lei. Isso é incentivo ao consumo. É um crime que a cantora está cometendo. E ser exposto num programa às 11 horas da manhã é outro crime”, disse o ministro.

Essa não é a primeira vez que a música de Ludmilla gera manifestações dos grupos de parlamentares do PSL ou de setores mais conservadores. Em razão da apresentação da cantora no programa da TV Globo, outros deputados como Bia Kicis (PSL-SP) e Marco Feliciano (sem partido) criticaram a emissora e a apresentadora pela exibição da performance.

O deputado Junio Amaral (PSL/MG) protocolou, em dezembro, um pedido de moção de repúdio contra Ludmilla na Câmara dos Deputados. Para o deputado, a música “faz clara apologia à prática de condutas criminosas, como o plantio, a venda e o consumo de drogas”.

Em resposta ao pedido de Amaral, a cantora Ludmilla respondeu numerando problemas no País que, para ela, deveriam ocupar mais o tempo dos parlamentares. “Milhões de brasileiros desempregados, sem moradia, hospitais sem vagas, a violência predominante […]  mas o maior problema que o Brasil tem no momento é uma música que fala de alface”, escreveu, ironizando o clipe da música, que já tem mais de 32 milhões de visualizações no YouTube.

Em nota, a assessoria da cantora Ludmilla afirmou que ela expressa “veemente repúdio ao cerceamento à liberdade de expressão cultural que, sistematicamente, vem sendo manifestado contra as letras das músicas de sua autoria”. Ela e a família afirmam lamentar publicações agressivas nas redes sociais.

“A cantora esclarece que não poupará esforços para adotar todas as medidas cíveis e criminais que se fizerem necessárias, de modo a repelir e responsabilizar os autores das postagens de conteúdo discriminatório, preconceituoso, calunioso, infame e difamatório a seu respeito”, acrescenta.

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani É repórter do site de CartaCapital.

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