Sociedade

Com medo da fiscalização, garimpeiros se dispersam no Rio Madeira; autoridades anunciam ações

Na quarta-feira 24, o MPF recomendou uma intervenção emergencial para repressão e desarticulação ao garimpo ilegal

Foto: Bruno Kelly/Greenpeace
Foto: Bruno Kelly/Greenpeace

Caiu o número de balsas ilegais concentradas no Rio Madeira, em Autazes (a 110 quilômetros de Manaus, no Amazonas), nesta sexta-feira 26. A informação é do jornal Folha de S.Paulo, que recebeu relatos dando conta de que os garimpeiros se assustaram com a repercussão das imagens que viralizaram nos últimos dias.

Os registros apontaram uma invasão de centenas de balsas de garimpeiros, utilizando todas as máquinas disponíveis para tentar extrair ouro do fundo do rio. A ocupação começou há pouco mais de 15 dias.

Uma suposta notícia de que havia ouro nas terras da Comunidade Rosarinho, em Autazes, se espalhou rapidamente entre os garimpeiros, que formaram vários grupos com balsas prontas para abrir o garimpo.

Na quarta-feira 24, o Ministério Público Federal recomendou uma intervenção emergencial para repressão e desarticulação ao garimpo ilegal no Madeira. De acordo com o órgão, autarquias federais e estaduais têm 30 dias para atuar de forma integrada para a retirada dos garimpeiros do local.

Na recomendação, o MPF requer que os órgãos identifiquem e autuem os garimpeiros e que adotem medidas para interromper a atividade, inclusive destruindo os “instrumentos do crime”, se necessário. 

A invasão dos garimpeiros à região foi confirmada pelo Greenpeace Brasil, que sobrevoou o Rio Madeira, na terça-feira 23. 

“O que vimos no sobrevoo é o desenrolar de um crime ocorrendo à luz do dia, sem o menor constrangimento. Isso tudo, óbvio, é referendado pelo presidente Bolsonaro, que dá licença política e moral para que os garimpeiros ajam dessa maneira”, disse Danicley de Aguiar, porta-voz da Campanha Amazônia do Greenpeace Brasil, em publicação no portal da organização. 

Segundo a ONG, “os garimpeiros operam no leito do Rio Madeira, sem qualquer tipo de incômodo ou discrição, explorando ouro de maneira ilegal sem que as autoridades tomem providências”. 

Na quinta 25, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a Polícia Federal e a Marinha atuariam na região do Rio Madeira, importante afluente do Amazonas.

“A PF e a Marinha já estão se preparando para agir”, disse o general no Palácio do Planalto. Segundo ele, a Marinha identificará embarcações ilegais para apreendê-las.

No mesmo dia, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Anderson Torres, declarou que “em poucos dias” uma operação envolvendo agentes da PF, da Força Nacional e do Exército começará a atuar na região. “Terminando o planejamento operacional e nos próximos dias estaremos lá”, disse a jornalistas.

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