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Chacinas no Rio de Janeiro dobraram desde o início da intervenção federal

Sociedade

Chacinas no Rio de Janeiro dobraram desde o início da intervenção federal

Desde o início da intervenção federal no Rio de Janeiro houve um aumento expressivo no número de tiroteios e chacinas na cidade, o que elevou os índices de violência da cidade.

De acordo com o relatório “À deriva: sem programa, sem resultado, sem rumo”, realizado pelo Observatório da Intervenção, da Universidade Cândido Mendes, o número de chacinas dobrou, passando de seis para 12 casos entre 6 de fevereiro a 16 de abril deste ano na comparação com o ano passado. No período de dois meses, as chacinas vitimaram 52 pessoas ante 22 pessoas em 2017

O relatório, divulgado nesta quinta-feira 26 mostrou ainda que de 16 de fevereiro a 16 de abril, houve 1.502 tiroteiros, que resultaram em 294 mortes e 193 feridos.

O número desses eventos cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

 No período de dois meses, os pesquisadores monitoraram 70 operações, que reuniram 40 mil agentes, nas quais foram apreendidas apenas 140 armas. “Alguma coisa está errada quando se utiliza tantos homens para apreender 140 armas”, questionou Silvia Ramos, coordenadora do Observatório, durante a apresentação do relatório.

Dados do Instituto de Segurança Pública apresentados no relatório apontam que no período, houve 940 homicídios, 209 pessoas foram mortas pela polícia e 19 policiais foram assassinados.

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“A existência de vítimas múltiplas em episódios de intervenção policial e de confronto de facções criminosas pode estar-se tornando uma marca deste novo momento do Rio sob intervenção, o que exigirá um monitoramento com foco nesse fenômeno”, aponta o relatório.

Problemas novos

Uma das conclusões do documento é a de que a intervenção foi uma medida política “que traz problemas novos, com a presença dos militares na vida política dos brasileiros, que vão para o centro da cena sem que se resolvam problemas de segurança do Rio. Não só não resolveu, como os resultados são ruins  há problemas novos”, disse Silvia Ramos.

“Esses dados são suficientes para entendermos que nenhuma política de segurança vai trazer resultados aceitáveis se não for baseada na redução de tiroteios, mortes e circulação de armas. Começando pela polícia que não pode chegar na favela atingindo moradores”, afirmou.

A pesquisadora citou o “gravíssimo” o caso de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora(UPP) Babilônia/Chapéu Mangueira, que agrediram e cortaram o cabelo de uma travesti, no dia 23 de abril.

“Chegaram no ponto mais baixo de descontrole”.

Dedicado à Marielle, o relatório foi feito com apoio de entidades da sociedade civil que monitoram casos de violações de direitos humanos cometidas por agentes do Estado, como o Defesa Zap e Fogo Cruzado.

“Para que e para quem a intervenção serve?”, questionou Renata Neder, da Anistia Internacional, uma das organizações que apoia o relatório, durante o lançamento do relatório. “Ela não serve ao propósito de segurança pública. Ela aprofunda e consolida o modelo de militarização“.

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