Saúde

Caso Ypê: Não há razão para pânico, mas não deve haver descarte em lixo comum, diz pesquisador

A Anvisa recomendou que os consumidores entrem em contato com o SAC da empresa para verificarem as ações de recolhimento

Caso Ypê: Não há razão para pânico, mas não deve haver descarte em lixo comum, diz pesquisador
Caso Ypê: Não há razão para pânico, mas não deve haver descarte em lixo comum, diz pesquisador
A Anvisa confirmou que houve falhas graves nos processos de produção em fábrica da Ypê em Amparo (SP) – foto: CartaCapital
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O anúncio feito pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde, a Anvisa, sobre a interrupção do uso de determinados produtos da Ypê envolve risco sanitário, mas não deve causar pânico na população, segundo o professor Reinaldo Camino Bazito, do Departamento de Química Fundamental da USP.

Em conversa com CartaCapital, o pesquisador ponderou que os consumidores devem atentar ao encaminhamento correto dos produtos, a partir de orientações do SAC da empresa, e evitar o descarte em lixo comum. Acrescentou, ainda, que pessoas que tiveram contato com os produtos devem estar atentas a possíveis sintomas, especialmente pessoas com o sistema imunológico comprometido.

A Anvisa determinou, na quinta-feira 7, a suspensão da fabricação e o recolhimento de uma lista de detergentes, sabão líquido para roupas e desinfetantes que integram lotes de numeração 1, fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada em Amparo, no interior do estado. A lista de produtos afetados está no fim deste texto.

Segundo a agência, a decisão foi tomada a partir de avaliação técnica de risco sanitário. O órgão explicou que os produtos têm risco de segurança sanitária com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos).

Embora a agência de vigilância não tenha mencionado oficialmente o nome do microorganismo presente nos produtos, o caso foi associado ao anúncio feito pela empresa, em novembro de 2025, sobre a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes específicos de lava-roupas líquidos. À época, a Química Amparo, fabricante da marca Ypê, anunciou um recolhimento voluntário cautelar de parte de seus produtos.

Em primeira nota enviada à reportagem, a Ypê afirmou não haver risco aos consumidores e anunciou estar em diálogo com a Anvisa para reverter a determinação.

Posteriormente, em comunicado atualizado, a empresa disse que está colaborando integralmente com a Anvisa. Completou que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo sendo apresentados às autoridades competentes. Acrescentou, ainda, que se compromete a incorporar imediatamente eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a Anvisa desde dezembro de 2025.

Recomendações aos consumidores

“É importante frisar que a Anvisa fala em recolhimento dos produtos, o que significa que eles devem ser devolvidos ao fabricante. A Anvisa talvez não tenha dado a ênfase necessária à isso”, observou o pesquisador. Ainda que o comunicado da agência oriente o contato com o SAC da empresa, a reportagem de CartaCapital ouviu relatos de consumidores fazendo o descarte imediato dos produtos no lixo residencial.

Pseudomonas aeruginosa, bactéria supostamente encontrada nos produtos, é relativamente comum no ambiente, segundo a literatura científica, e está presente no solo, na água, e no ar. Ainda que seja difícil prever um possível grau de contaminação a mais a partir do descarte dos produtos, a medida deve ser evitada. “O lixo já contem bactérias, mas não precisamos de mais. Estamos falando de produtos contaminados que, por princípio, não devem ser descartados comumente, cabe ao fabricante dar a destinação correta a eles”, reforçou.

Nos humanos, a bactéria pode provocar de infecções leves a graves, sobretudo em pessoas imunodeprimidas, com comprometimento do sistema imunológico. “Os produtos [afetados] são de uso externo, e na maioria das vezes diluídos em água, por isso o contato é limitado. Então, a princípio, não se tem uma chance grande de contaminação, mas ninguém pode descartá-la totalmente”, avaliou o pesquisador.

Ainda que as chances de contaminação sejam pequenas, a recomendação é a de que as pessoas fiquem atentas a possíveis sinais como manchas avermelhadas, coceiras, distúrbios gastrointestinais e febre e, em caso de prevalência dos sintomas, procurem ajuda médica.

Produtos afetados

Os produtos com lote com numeração final ‘1’ listados abaixo devem ter o uso interrompido imediatamente:

  • Lava louças Ypê
  • Lava louças concentrado Ypê Green
  • Lava louças com enzimas ativas Ypê
  • Lava louças Ypê Clear
  • Lava louças Ypê Clear Care
  • Lava louças Ypê Green
  • Lava louças Ypê Toque Suave
  • Lava roupas líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava roupas líquido Tixan Ypê Green
  • Lava roupas líquido Ypê Express
  • Lava roupas líquido Ypê Power Act
  • Lava roupas líquido Ypê Premium
  • Lava roupas Tixan Maciez
  • Lava roupas Tixan Power Act
  • Lava roupas Tixan Primavera
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de uso geral Atol
  • Desinfetante perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê

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