Sociedade

Campanha distribuirá mil placas em homenagem à Marielle no Rio

Após ato de vandalismo, ‘vaquinha virtual’ tinha o objetivo de arrecadar o suficiente para 100 placas, mas o resultado foi muito melhor que o esperado

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A campanha “Vocês rasgam uma, nós fazemos 100” superou, e muito, todas as expectativas. A “vaquinha virtual” tinha o objetivo inicial de conseguir 2 mil reais, que seriam usados para a confecção de 100 placas. Em 20 minutos ele foi atingido, segundo os organizadores, que puderam produzir 1000 placas. A distribuição acontecerá na Cinelândia (Rio de Janeiro) no próximo domingo, 14, quando o assassinato da vereadora Marielle Franco completará sete meses.

A campanha foi uma reação ao ato de agressão à memória de Marielle. No início de outubro, menos de um mês após a facada quase fatal sofrida por Jair Bolsonaro, candidatos de seu partido, o PSL, rasgaram uma homenagem à Marielle feita por seus simpatizantes: uma adesivo que simulava uma placa de rua com seu nome. O tributo foi estampado na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em cima da chapa oficial do logradouro, a praça Floriano.

No momento, o total arrecadado pela campanha pode passar de 40 mil reais, já que boletos de doadores ainda estão em compensação pela rede bancária. Haverá um desconto de 13%, referentes à taxa de serviço do Catarse, site que faz o recolhimento das doações. As novas placas serão menores que as originais e não serão adesivas. A ideia é que sejam um símbolo e uma lembrança e não que sejam coladas nas ruas.

Foram feitos três orçamentos para a confecção das mil placas e eles variaram entre 17 mil e 20 mil reais. A gráfica WSM, porém, resolveu fazer o serviço a preço de custo, para contribuir com o projeto. As mil placas, então, sairão por 8,7 mil reais. “Como não fazia sentido confeccionar mais placas além das mil, nós vamos doar o excedente a projetos e causas apoiadas por Marielle”, afirmam os organizadores em sua página.

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A campanha para fazer novas placas foi lançada pelo site de humor Sensacionalista, que posta notícias falsas que abordam com ironia questões políticas e sociais do Brasil e do Mundo. Sócio do site, o jornalista Nelito Fernandes conta que a equipe ficou estarrecida quando viu a imagem da placa quebrada e decidiu agir para reconstruir a homenagem à vereadora.

“O que foi quebrado não foi uma placa, foi a Marielle, mais uma vez. A imagem de uma mulher, negra, que se recusou a cumprir o destino de servir o cafezinho. Que mal Marielle fez para merecer esse ódio?”, questionou Nelito.

placa.jpg Dinheiro arrecadado foi suficiente para produzir mil placas e ajudar projetos sociais apoiados por Marielle (Reprodução/Instagram)

Relembre o caso

No início de outubro, em um vídeo postado nas redes sociais, o então candidato a deputado estadual Rodrigo Amorim, e o candidato a deputado federal Daniel Silveira – ambos do PSL-RJ e eleitos no último domingo – retiram a homenagem da placa que foi colocada na esquina da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, onde Marielle cumpria seu primeiro mandato quando foi assassinada.

No vídeo, Daniel defende que o assassinato não justificava colar a placa, o que classificou de vandalismo. Já Rodrigo afirma que outras 60 mil pessoas foram assassinadas no País.

Dias depois, os candidatos levaram a placa a um ato político para apoiadores em Petrópolis, na Região Serrana. O ato foi registrado em mais um vídeo postado nas redes sociais, e Amorim e Silveira exibem a placa quebrada ao meio. Os dois foram fotografados com os pedaços da placa nas mãos, e as imagens se espalharam nas redes.

Após a repercussão, um dos responsáveis, Daniel Silveira, candidato à deputado federal pelo PSL, afirmou em seu perfil no Facebook que a foto foi retirada de contexto. “De certo que a morte da conhecida vereadora deve ser investigada e os autores punidos, no entanto, não deve servir de desculpas para depredação do patrimônio público”.

*Com informações da Agência Brasil

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