Por uma nova Abolição

Sociedade

Um ato para reivindicar a ampliação da participação do jovem negro da periferia no sistema educacional brasileiro levou mais de 600 pessoas às ruas de São Paulo no sábado 11. O dia foi repleto de atividades que tinham como objetivo debater o 13 de Maio, dia da Abolição da escravatura, que completou 125 anos. Para os organizadores, é uma data importante para se reforçar a luta pelos direitos da população. “O mais importante foi ter provado um sentimento nos estudantes com relação à educação”, disse Douglas Belchior do Conselho Geral da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (Uneafro), organização que promove cursinhos comunitários para jovens das periferias de São Paulo. “Exercemos um papel que os políticos não têm cumprido, que é despertar a mentalidade coletiva para contrapor o modelo educacional que temos hoje”.

A atividade foi iniciada pela manhã no Auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, que reuniu cerca de 400 estudantes de diversos Núcleos de Cursinhos Comunitários da UNEafro, além de coordenadores, professores e ativistas.

O Professor Silvio Almeida, advogado e presidente do Instituto Luiz Gama e da Frente Pró-Cotas SP abordou a questão do acesso à universidade, do Pimesp e a questão das cotas. Camila Gibin, do Coletivo Anastácia Livre, falou sobre violência, encarceramento, genocídio da juventude e sobre a maioridade penal. O evento contou também com a presença de três lideranças caciques das tribos Guarani Kaiowá que, a convite do Tribunal Popular, vieram do Mato Grosso do Sul para conversar com os estudantes.

Em seguida às aulas, os estudantes participaram de oficinas de confecção de cartazes, que mais tarde foram usados na marcha que rodou às ruas da cidade.

A atividade final do dia foi a leitura da Carta do 13 de maio de luta à Sociedade, elaborada pelos movimentos UNEafro-Brasil, Círculo Palmarino, MNU, Mães de Maio, Núcleo de Consciência Negra USP, Movimento Quilombo,Tribunal Popular, Levante Popular, Instituto Luiz Gama e Rompendo Amarras.

As duas grandes bandeiras levantadas foram a educação, com a reivindicação das cotas pelas universidades públicas e a necessidade de políticas públicas voltadas para a cultura da periferia, e a repressão do braço armado do Estado.

Na terça-feira 14, a partir das 9 horas, a Praça da Sé vira palco para outro ato, a Luta das Mães contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica, exigindo indenizações justas para os familiares das vítimas, investigação de grupos de extermínio, canais seguros para denunciar a violência, além do fim da Operação Delegada e da Operação Saturação. Também será levantada a bandeira contra a redução da maioridade penal.

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