CartaExpressa

Assassinatos caem, mas conflitos no campo voltam a crescer no primeiro semestre de 2026

A contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência que mais registrou aumento

Assassinatos caem, mas conflitos no campo voltam a crescer no primeiro semestre de 2026
Assassinatos caem, mas conflitos no campo voltam a crescer no primeiro semestre de 2026
Surucucu (RR), 09/02/2023 - Mulheres e crianças yanomami em Surucucu, na Terra Indígena Yanomami. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

O primeiro semestre de 2026 registrou um retorno no aumento nos conflitos no campo, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra divulgado nesta quarta-feira 2. A instituição aponta que de janeiro a junho foram 841 casos, um crescimento de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram 798 registros.

Em relação à violência contra a pessoa, foram registrados até o momento seis assassinatos em conflitos no campo, uma queda de 77% em relação aos 27 casos registrados no primeiro semestre do ano anterior.

Os levantamentos são realizados com base nas fontes coletadas pelas/os agentes da Pastoral da Terra em todo o Brasil e também as fontes coletadas por meio da clipagem junto à imprensa em geral, bem como em divulgações de órgãos públicos, movimentos sociais e organizações parceiras ao longo do ano.

Em relação aos conflitos, eles são divididos nos seguintes eixos: terra (711 registros), água (100) e trabalho escravo rural (30). O estado do Maranhão continua sendo o que mais registrou conflitos no campo neste primeiro semestre (156), uma tendência que já vem sendo observada nos últimos anos.

A maior parte destes conflitos envolve as violências pela ocupação e a posse da terra, com um pequeno aumento em relação a 2025, passando de 584 para 663, em 2026. Já o número de resistências, como ocupações e acampamentos, diminuiu de 66 para 48, mas segue uma tendência dos últimos 10 anos.

A contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência que mais registrou aumento, seguida de invasão aos territórios, desmatamento ilegal e ameaça de despejo, violências ligadas à expansão do agronegócio.

Já os conflitos por água tiveram mais do que o dobro de aumento em relação ao primeiro semestre do ano passado (de 47 para 100 registros), em 20 estados. O Pará teve o maior número de registros, com 16 ocorrências, seguido por Minas Gerais (11), Amazonas e Mato Grosso (com 10 conflitos cada).

Conflitos pela água no primeiro semestre de 2026. Foto: CPT/Reprodução

ENTENDA MAIS SOBRE: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo