Após ação da GCM, grupo ataca motoristas na região da Cracolândia

Padre Júlio Lancelotti afirma que violência começou depois de GCM impedir que pessoas se protegessem da chuva na estação Júlio Prestes

Créditos: Reprodução Redes Sociais

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Sociedade

Motoristas foram atacados por um grupo na região da Cracolândia, na região central da cidade de São Paulo. Em vídeos que circulam pelas redes sociais, é possível ver carros que trafegavam pela região sendo depredados com murros, chutes e objetos. Em uma das filmagens, um motorista, cercado, teve as portas do carro abertas.

 

 

 

Segundo o Padre Júlio Lancelotti, os episódios marcam o fim de uma ação violenta iniciada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) nesta tarde. “Na hora da chuva, muitos desses usuários tentaram se proteger na Estação Júlio Prestes e a corporação impediu, repelindo-os com bombas”, disse Lancelotti em contato com a reportagem de CartaCapital.

 

 

Após a ação da GCM, o grupo seguiu caminhando pela cidade e a situação saiu de controle. No perfil de Júlio Lancelotti nas redes sociais é possível ver um grupo caminhando sob forte chuva e depois atacando motoristas que passavam pela região.

“Violência gera violência. Agora, o que me estranha é que a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar estavam pela região. Mas não se vê ninguém tentando defender os motoristas, que foram atacados de maneira terrível”, observa.

 

 

 

 

 

 

“É um sintoma de que estamos caminhando para o caos social, que deve se agravar ainda mais. Temos aumento do desemprego, maior contingente de pessoas em situação de rua, ações violentas contra as camadas pobres da cidade e a diminuição do auxílio emergencial. As formas de sobrevivência em São Paulo se tornam cada vez mais difíceis”, lamenta o coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo.

 

Prefeitura apresenta outra versão para o ocorrido

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), que houve um deslocamento do fluxo da Cracolândia nesta tarde “por causa do aumento do tráfego de caminhões para retirar material de demolição em função das intervenções no local”. A pasta afirma que a ação, previamente combinada, era acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Ainda em comunicado, a pasta afirma que a mudança ocorria com normalidade até que “um grupo de frequentadores (…) começou a agredir GCMs com pedras, paus e outros objetos. A reação teve de ser contida para preservar a segurança de todos na região”. A gestão municipal também declarou que a Polícia Militar apoiou a operação com patrulhamento preventivo nas imediações.

A pasta não respondeu à reportagem sobre o registro de bombas lançadas pela GCM na estação Júlio Prestes, nem sobre a aparente ausência da corporação no momento em que motoristas foram atacados.

 

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Repórter do site CartaEducação

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