Sociedade
O que se sabe sobre o acidente com um ônibus de romeiros em Alagoas
O coletivo, com aproximadamente 60 passageiros, capotou em um trecho da AL-220, localizada no município de São José da Tapera, no sertão do estado
Um acidente com um ônibus, na manhã desta terça-feira 3, em um trecho da AL-220, localizada no município de São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, deixou ao menos 16 mortos.
O governo do estado confirmou 15 óbitos no local do acidente. No período da tarde, foi confirmado o óbito de uma criança de 4 anos, do sexo masculino, que deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santana do Ipanema.
O veículo, que estava com aproximadamente 60 passageiros, capotou na rodovia. Entre as vítimas fatais estão sete mulheres adultas, cinco homens adultos e quatro crianças.
Quem são as vítimas?
O governo de Alagoas informou que todos os corpos já foram necropsiados. Nove vítimas já foram identificadas oficialmente pela equipe de papiloscopista do Instituto de Identificação de Alagoas:
– Maria Manuella de Souza Oliveira, 5 anos, estudante, residente no Povoado Alagoainjas em Coite do Nóia;
– Claudiana Maria da Sila Bastos, 45 anos, do lar, residente no Sítio Vassouras em Coité do Nóia;
– Cleusa Simão Lima, 63 anos, aposentada, residente no Povoado Mucamba em Coité do Nóia;
– Cícero Barbosa de Lima, de 71 anos, aposentado, residente no centro de Coité do Nóia;
– Edivania da Silva Lima, de 39 anos, agricultora, residente no Sítio Pereira Velho em Coité de Nóia;
– Josefa Madalena de Alcantara, 67 anos; aposentada residente em Igaci;
– Maria do Socorro Santos, aposentada, 73 anos, residente no Sítio Pereira Velho em Coité de Nóia;
– Maria Gorete Rodriues Izidoro da Silva, 38 anos, residente no Sítio Vassouras Coité do Nóia
– Vandete Maria da Silva, 60 anos, agricultura residente no Sítio Vassouras em Coité do Nóia
Ainda de acordo com o governo, 20 pacientes deram entrada na rede estadual de saúde e 18 permanecem internados.
Como foi o acidente?
Os passageiros eram romeiros que estavam retornando do Ceará para Alagoas, depois de participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em Juazeiro do Norte. Após perícia realizada no local, pelo Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA), se constatou que o ônibus saiu da pista ao fazer uma curva, caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura e tombou às margens da via, no sentido São José da Tapera.
“Foram analisadas marcas na pista e na ribanceira, recolhido o tacógrafo para análise, realizados exames no sistema de freios e medições para verificação de velocidade. Não foram identificados sinais de frenagem antes da saída da pista. Exames complementares ainda serão realizados para a consolidação do laudo e o esclarecimento técnico da causa e da dinâmica do acidente”, informou o governo de Alagoas, em nota.
Um inquérito policial foi instaurado pelo Distrito Policial de São José da Tapera para apurar as circunstâncias do acidente.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), manifestou pesar pelo ocorrido nas redes sociais e decretou luto de três dias no estado. A Prefeitura de Juazeiro do Norte também lamentou o acidente, em nota.
“Juazeiro do Norte, cidade cuja história é marcada pela fé e pelo acolhimento aos romeiros, recebe essa notícia com imensa tristeza e solidariedade, sentimento que une a gestão municipal e toda a população neste momento de luto”, diz um trecho do comunicado.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o veículo envolvido no acidente realizava transporte clandestino de passageiros.
“O ônibus, de placa JJB3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado”, informou a agência, em nota.
A ANTT acrescentou que acompanha o caso junto aos órgãos competentes e segue com as ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino no país.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Chacina de Paraisópolis: Promotoria pede júri popular de PMs envolvidos
Por Agência Brasil
Anvisa oficializa as novas regras sobre uso da cannabis medicinal no Brasil
Por CartaCapital



