Política

A campanha de delegados contra as promessas não cumpridas por Tarcísio

Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo instala outdoors em cidades para expor problemas como desvalorização da carreira, baixos salários e defasagem do quadro efetivo

A campanha de delegados contra as promessas não cumpridas por Tarcísio
A campanha de delegados contra as promessas não cumpridas por Tarcísio
Tarcísio de Freitas, governador de SP. Foto: PAULO GUERETA/GOVSP
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O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo iniciou uma campanha para veicular as promessas feitas e não cumpridas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a categoria, desde sua campanha eleitoral de 2022.

Desde a terça-feira 24, o Sindpesp tem exposto outdoors em cidades do interior do estado, do Vale do Paraíba e do litoral, com frases que jogam luz a questões como desvalorização da carreira, baixos salários e defasagem do quadro efetivo, visto como uma consequência direta do sucateamento da segurança pública.

‘Governador Tarcísio, em 2022, o senhor prometeu melhorias para a Polícia Civil e não cumpriu’. ‘Governador Tarcísio, quando a Polícia é desvalorizada, a criminalidade aumenta’. ‘Governador Tarcísio, desde 2023, houve baixa de quase 4 mil policiais civis. É a segurança da população que está em jogo’.

Créditos: Reprodução

Essas são algumas das frases que moradores de cidades como Araçatuba, Bauru, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Santos e Sorocaba poderão se deparar ao andar nas ruas.

Também está prevista uma frente de comunicação nos canais digitais para contrapor a propaganda governista, ‘totalmente divorciada da realidade da Polícia Civil’, frisa o sindicato.

“A população que vive distante da capital precisa saber, de fato, como os policiais civis são tratados por este governo, que, na propaganda e no discurso, se coloca como exemplo em Segurança para todo o País, mas, na prática, sacrifica seus profissionais“, avalia a a presidente do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valadares.

“A verdade precisa ser dita: trata-se de uma gestão que não entrega salários dignos para àqueles que enfrentam facções criminosas, que colocam suas vidas em risco e que têm carga de trabalho extenuante, além de insegurança financeira para o sustento de suas famílias”, completou.

‘Discurso populista’ x eleições

O Sindicato entende ser fundamental esclarecer a população sobre o discurso populista de Tarcísio. Acusa ainda o governo de, por um lado, gerar engajamento nas redes sociais com o tema da segurança pública, por outro, promover pouca mudança na prática.

“A realidade nas Delegacias é dura. E quando o Estado falha com os policiais, quem paga o preço é o povo. É a segurança do dia a dia da sociedade que, na ponta, está em jogo. Nos municípios do interior, a violência, decorrência da falta de investimentos por parte do Governo do Estado, também é preocupante”, alerta a líder sindical.

Créditos: Reprodução

Para o Sindpesp, a disputa de narrativas é especialmente importante em ano eleitoral, que deve dar grande destaque ao tema da segurança pública. “Se o governador pretende falar em Segurança Pública, deve começar cumprindo o que deve à Polícia Civil de São Paulo: remuneração digna, política de valorização real, plano de carreira justo e condições concretas para enfrentar o crime organizado”, conclui.

Segundo o sindicato, há um déficit de 14.377 policiais, entre delegados, escrivães, investigadores, agentes, peritos e médicos-legistas. De 2023 a janeiro de 2026, o Sindpesp contabiliza um total de 5760 admissões, porém, no mesmo período, houve 3.691 baixas, por aposentadorias, exonerações e outros motivos.

Somente em janeiro deste ano, foram 113 os desligamentos da Polícia Civil bandeirante. A organização sindical alerta para um agravamento do quadro de desprovimento da Polícia Civil já para este ano, diante da falta de previsibilidade de novos concursos.

Em nota, o governo afirmou que mantém diálogo permanente com as entidades representativas e reconhece a importância do trabalho desempenhado pelas carreiras policiais. Acrescentou que a valorização dos profissionais da segurança e o fortalecimento das instituições têm sido prioridades da atual gestão, com ações voltadas tanto à recomposição dos efetivos quanto à melhoria das condições de trabalho.

Segundo a gestão Tarcísio, entre 2022 e 2025, os policiais civis e militares acumularam reajuste salarial de 45,2%. Já os policiais penais tiveram aumento acumulado de 54% no mesmo período. Também afirmou que reforçou os quadros e reduziu o déficit do efetivo com a contratação de 15 mil novos policiais, sendo 4 mil vagas para a Polícia Civil, a maior nomeação da história da corporação.

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