Saúde

Variante ômicron é mais transmissível, mas análises indicam sintomas mais leves

A África do Sul registrou, nas últimas semanas, um rápido aumento dos contágios

REPRESENTAÇÃO CRIATIVA DE PARTÍCULAS DO VÍRUS SARS-COV-2. FOTO: NIAID
REPRESENTAÇÃO CRIATIVA DE PARTÍCULAS DO VÍRUS SARS-COV-2. FOTO: NIAID

A nova variante ômicron do coronavírus representa um “risco muito elevado” para o planeta. O alerta foi feito nesta segunda-feira 29 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que se preocupa com o aumento do número de países onde a nova cepa já está presente.

De acordo com a organização, as mutações da nova variante situadas na proteína Spike, que o vírus utiliza para entrar nas células humanas, indicam uma capacidade de transmissão bem mais elevada em relação às cepas anteriores.

“A probabilidade de que a ômicron se propague pelo mundo é elevada”, afirmou a OMS, lembrando que, até o momento nenhuma morte foi associada à mutação. “Em função das características podem existir futuros picos de Covid-19, com consequências severas”, acrescentou a OMS em um documento técnico, que também apresenta conselhos às autoridades para tentar frear o avanço do vírus.

A ômicron foi identificada pela primeira vez na semana passada na África do Sul e ainda existem dúvidas sobre a transmissibilidade, virulência e letalidade da variante. A Pfizer já anunciou que, dentro de aproximadamente duas semanas, terá informações sobre a eficácia das vacinas existentes no mercado. O conselheiro do governo americano para a pandemia, Anthony Fauci, afirmou que continua “acreditando que as vacinas existentes devem fornecer um grau de proteção contra casos severos de covid”.

O país africano registrou, nas últimas semanas, um rápido aumento dos contágios: no domingo foram 2.800 novos casos, contra 500 da semana anterior. Quase 75% das infecções contabilizadas nos últimos dias foram provocadas pela B.1.1.529.

“Embora a ômicron não seja clinicamente mais perigosa e que os primeiros sinais ainda não sejam alarmantes, provavelmente veremos um aumento de casos devido à velocidade de transmissão”, disse o epidemiologista sul-africano Salim Abdool Karim, que prevê que o país alcançará 10.000 novos casos diários de coronavírus, até o fim de semana.

Poucos dias depois do anúncio por cientistas da África do Sul sobre a descoberta da nova variante, o hospital Bambino Gesu de Roma conseguiu a primeira “imagem” da ômicron e confirmou seu número mais alto de mutações em relação à Delta, mas isto não significa que é mais perigosa, de acordo com os pesquisadores

Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica Sul-Africana declarou que observou 30 pacientes, nos últimos 10 dias, que testaram positivo para Covid-19 e se recuperaram sem a necessidade de hospitalização. O principal sintoma foi o cansaço. Vários países já detectaram casos vinculados a esta variante, incluindo Reino Unido, Alemanha, Canadá, Holanda e Israel. A lista aumentou nesta segunda-feira, com o anúncio de contágios em Portugal, Áustria e Escócia.

Nesta segunda-feira, os ministros da Saúde do G7 (França, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) se reunirão “para discutir a evolução da situação sobre a ômicron”, em um encontro organizado em caráter de urgência em Londres, que assumiu a presidência temporária do G7.

“Sabemos que estamos em uma corrida contra o tempo”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes de destacar que os fabricantes de vacinas precisam de “duas a três semanas” para avaliar se as vacinas existentes continuam sendo eficazes contra a nova variante. A Covid-19 já provocou 5,2 milhões de mortes no mundo, desde a detecção na China, em dezembro de 2019.

O anúncio da detecção da nova variante provocou pânico e em poucas horas muitos países, incluindo Estados Unidos, Indonésia, Arábia Saudita e Reino Unido, adotaram restrições aos visitantes procedentes do sul da África. Estas medidas foram consideradas um “castigo” pelas autoridades sul-africanas.

“É totalmente lamentável, infeliz e inclusive triste que até países africanos tenham adotado restrições de viagens”, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Clayson Monyela. Na África, Angola, Ilhas Maurício, Ruanda e Seychelles interromperam os voos procedentes da África do Sul. O país teme consequências para sua economia e, em particular, o turismo.

Nesta segunda-feira, o Japão anunciou o fechamento de suas fronteiras para visitantes do exterior, apenas três semanas depois de flexibilizar algumas restrições. Israel, com um caso da nova variante confirmado no país, também proibiu a entrada em seu território de cidadãos estrangeiros. E na Austrália, o governo suspendeu os planos de reabrir as fronteiras para determinados trabalhadores e estudantes.

“Com a variante ômicron detectada em várias regiões do mundo, a aplicação de restrições de viagens para a África é um ataque à solidariedade global”, declarou o diretor para a África da OMS, Matshidiso Moeti.

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