Saiba reconhecer os principais efeitos do coronavírus no organismo

Perto de 35% dos infectados não apresentam sintomas. Nos demais, eles surgem de dois a 14 dias depois de adquirir o vírus

Foto: EVARISTO SA / AFP

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Saúde

Numa epidemia tão disseminada como a do atual coronavírus, qualquer mal-estar assusta. O Center for Diseases Control, dos Estados Unidos, publica uma síntese dos sintomas mais característicos e a frequência com que se manifestam no curso da infecção.

Febre

Pode ser intermitente ou prolongada. Costuma ficar entre 37 e 38 graus, mas há casos em que ultrapassa 39 graus. Na maioria das vezes, não dura mais do que dois ou três dias, mas alguns pacientes mantêm picos diários com mais de uma semana de duração. Nessas situações, é importante afastar a concomitância de infecção bacteriana secundária.

A medida da temperatura com esses termômetros que parecem revólveres, apontados para a fronte das pessoas em aeroportos e entradas de shoppings, é inútil. A febre nem sempre está presente, nunca é constante, geralmente dura poucos dias e o doente pode estar sob efeito de antitérmicos.

Tosse

Os estudos mostram que está presente em 59% a 86% dos pacientes. Quando se manifesta, é seca em 80% das vezes, do tipo irritativo. Nos demais vem acompanhada de secreção escura ou amarelada. Secreção esverdeada sugere complicação bacteriana e necessidade de antibioticoterapia. Em alguns curados da infecção a tosse pode persistir por semanas ou meses.

Fadiga

De intensidade variável, está presente em 44% a 70% dos doentes. Dores musculares e dor no peito ocorrem em 11% a 35%.

Dor de garganta…

… congestão nasal e perda do olfato costumam estar entre os primeiros sintomas.

Coriza…

… e sangramento nasal manifestam-se em menos de 10% dos casos.

Comprometimento pulmonar, que cursa com insuficiência respiratória e queda da saturação de oxigênio na circulação, ocorre em até 20% dos doentes sintomáticos. Essa porcentagem chega a 50% quando os sintomas são de maior intensidade.

Náuseas…

… vômitos, diarreia e dores abdominais são pouco comuns, ao contrário da perda de apetite, que às vezes se manifesta mesmo naqueles com poucos sintomas.

Manifestações menos comuns incluem as neurológicas: tonturas, confusão mental, alterações da sensibilidade, crises de ansiedade, acometimento de nervos periféricos, síndrome da Guillain-Barre e acidentes vasculares cerebrais, entre outras. Como o vírus se dissemina pela corrente sanguínea, pode acometer qualquer órgão ou sistema: coração, rins, pele e sistema nervoso central.

Perto de 35% dos infectados não apresentam sintomas. Nos demais, eles surgem de dois a 14 dias depois de adquirir o vírus (em média, de quatro a cinco dias). Quando a doença se manifesta, é importante anotar o dia em que surgiu o primeiro sintoma. Se quatro ou cinco dias mais tarde houver melhora do mal-estar, dos sintomas e da indisposição, a doença costuma evoluir para a cura. Se, depois desse período, os sintomas se agravarem, há necessidade de procurar atenção médica, porque é maior o risco de complicações.

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Médico cancerologista, foi um dos pioneiros no tratamento da AIDS no Brasil. Entre outras obras, é autor de "Estação Carandiru", livro vencedor do Prêmio Jabuti 2000 na categoria não-ficção, adaptado para o cinema em 2003.

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