Quarentena oficial em São Paulo é prorrogada até o dia 22 de abril

Governador João Doria voltou a criticar Bolsonaro por conta de sua persistência em ir contra as medidas de afastamento social recomendadas

O Governador do Estado de São Paulo João Doria durante coletiva de imprensa sobre o combate do Coronavírus. Dia: 03/04/2020 (Foto: Governo do Estado de São Paulo.)

O Governador do Estado de São Paulo João Doria durante coletiva de imprensa sobre o combate do Coronavírus. Dia: 03/04/2020 (Foto: Governo do Estado de São Paulo.)

Saúde

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou que a quarentena oficial do estado para o combate ao coronavírus será prorrogada até o dia 22 de abril, segundo decidido em reunião com as autoridades sanitárias e anunciado nesta segunda-feira 06.

O primeiro decreto assinado por Doria que restringia a abertura de comércio e a circulação de pessoas em todos os municípios do estado seria válido até a terça-feira 07, mas, devido às recomendações médicas e sanitárias, houve a decisão de estender por mais 15 dias a medida oficial de restrição de contato social. A medida será publicada na quarta-feira 08.

São Paulo é o estado mais atingido pela epidemia da Covid-19 até o momento. Segundo o Ministério da Saúde, já são 4.620 infectados e 275 óbitos registrados. No cenário nacional, a pasta contabiliza 11.130 casos e 486 mortes, sendo que apenas os estados do Tocantins e do Acre ainda não haviam registrado vítimas fatais até o domingo 05.

Conforme projeção do Instituto Butantan, centro de pesquisas biomédicas vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, a prorrogação da quarentena pode evitar 166 mil óbitos em São Paulo, além de 630 mil hospitalizações e 168 mil internações em UTIs.

Na coletiva, Doria voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro por conta de sua persistência em ir contra as medidas de afastamento social recomendadas pelas autoridades médicas. “Será que um único presidente no mundo está certo?”, disse o governador.

O infectologista David Uip, que estava afastado por ter sido contaminado pelo coronavírus, esteve de volta para o anúncio da prorrogação da quarentena. Ele é o coordenador do Centro de Contingenciamento do Coronavírus do estado. Em um depoimento pessoal, Uip relatou que os dias em que estava contaminado pela Covid-19 foram de “extremo sofrimento”, tanto pelos sintomas da pneumonia que desenvolveu, quanto pelo isolamento completo.

“Não é brincadeira. Por favor, aqueles que estão subestimando, achando que não é nada, ou que é pouco, eu desejo ardentemente que não adoeçam. É um sofrimento muito grande.”, disse o médico, que afirmou que irá voltar a atender pacientes neste momento, já que agora ele não deve ser contaminado novamente.

Infectologista David Uip, no microfone, ao lado do secretário estadual de Saúde, José Henrique German. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Outros especialistas também discursaram na coletiva, enfatizando, antes mesmo do anúncio de Doria, que as medidas de isolamento deveriam ser continuadas para não propagar uma sensação de “falsa segurança” na população.

João Doria já havia declarado em ocasiões anteriores que as medidas restritivas poderiam ser mais rigorosas se as pessoas “não respeitassem a vida”, comentário feito por ele frente a denúncias de alto movimento nas ruas de grandes cidades do estado, como a capital e Campinas, localizada no interior.

“Se necessário, as nossas orientações poderão ser mais rigorosas se as pessoas não respeitarem a vida. Pessoas que estão saindo desnecessariamente de suas casas estão expondo suas vidas e a vida de outras pessoas. Não é hora de sair de casa se você não tiver necessidade absoluta de fazer isso”, disse o governador, que é um dos principais antagonistas do presidente Jair Bolsonaro no que diz respeito à gestão da crise do coronavírus no País.

O presidente parece ainda travar um conflito de capital político com os governadores para angariar popularidade em meio à pandemia, mas a estratégia tem lhe custado popularidade. Segundo pesquisa Datafolha da última semana, mais de 90% entre 1558 pessoas entrevistadas aprovam ações oficiais tomadas pelos governos estaduais, municipais e, em alguma medida, pelo governo federal, para conter a disseminação do coronavírus.

Mesmo assim, Bolsonaro tem ameaçado o seu ministro Luiz Henrique Mandetta, do Ministério da Saúde, por conta das recomendações de isolamento vindas da pasta, e abastecido a população que o apoia nas redes sociais com vídeos contra os governadores.

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