Por coronavírus, Bolsonaro anuncia aumento de produção de cloroquina

Medicamento usado contra malária, lúpus e artrite gera corrida às farmácias após estimativa otimista de Trump sobre eficácia contra vírus

O presidente da República fez anúncio em vídeo publicado nas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente da República fez anúncio em vídeo publicado nas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

Política,Saúde

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que os laboratórios do Exército vão aumentar a produção de cloroquina, substância utilizada contra a malária, o lúpus e a artrite. A declaração ocorreu neste sábado 21, em vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo Bolsonaro, o Hospital Albert Einstein informou que iniciou o protocolo de pesquisa para avaliar a eficácia da cloroquina no combate ao coronavírus.

A decisão ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer um pronunciamento otimista sobre a ação da substância. No entanto, ainda não há comprovação científica que ateste a competência do material.

“Agora há pouco, me reuni com o senhor ministro da Defesa, onde decidimos que o laboratório químico e farmacêutico do Exército deve, imediatamente, ampliar a sua produção desse medicamento”, disse Bolsonaro. “Tenhamos fé que brevemente ficaremos livres desse vírus.”

Bolsonaro disse ainda que o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra, decidiu que a cloroquina não pode ser vendida para outros países, já que o medicamento também é usado no Brasil para combater doenças.

O anúncio de Bolsonaro gerou críticas nas redes sociais. Nos Estados Unidos, a declaração de Trump gerou uma corrida às farmácias, por pessoas que buscavam o medicamento. No Brasil, há relatos de falta desse produto para pessoas que realmente precisam.

“A cloroquina ainda não é segura! Falando isso, você começa uma corrida desordenada na busca desse remédio, e pessoas que realmente precisam ficam sem. A vacina, no melhor dos cenários, levará 18 meses. A única saída é o isolamento”, escreveu o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).

A própria Anvisa já pediu consciência aos consumidores para evitar a corrida às farmácias. Nas redes sociais, a instituição escreveu que não há estudos conclusivos que comprovam o uso da cloroquina para o tratamento da covid-19 e fez um apelo pela prioridade aos que necessitam da substância.

“Enquanto você corre às farmácias para comprar um medicamento que ainda não foi comprovado para o tratamento do coronavírus, está prejudicando pessoas com outras doenças e que precisam desse tratamento para sobreviver”, publicou a Anvisa, na sexta-feira 20.

Ao gravar o vídeo, Bolsonaro estava acompanhado dos filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), como mostra uma fotografia publicada nas redes sociais. No Facebook, Flávio escreveu na legenda que o vídeo trata de “possível cura dos pacientes com o covid-19”.

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Repórter do site de CartaCapital

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