Saúde

Ministério da Saúde criará sala de situação para monitorar varíola de macaco

O Brasil ainda não tem casos suspeitos da doença, que já contabiliza 94 diagnósticos confirmados no mundo

Lesões causadas pela varíola do macaco em uma menina na Libéria — Foto: Wikipedia
Lesões causadas pela varíola do macaco em uma menina na Libéria — Foto: Wikipedia
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O Ministério da Saúde montará uma sala de situação para monitorar a varíola de macacos. O anúncio oficial, antecipado ao GLOBO por integrantes da pasta, é esperado para esta segunda-feira. Caberá à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) coordenar os trabalhos, em que uma equipe técnica da pasta analisará dados sobre a doença e seus possíveis impactos sobre a população.

Documento obtido pela reportagem mostra que o Brasil não registra casos suspeitos da doença. Ao todo, há 155 casos registrados em 14 países, dos quais 94 foram confirmados e 61 seguem em análise.

“Com base em dados da OMS nenhuma fonte de infecção foi confirmada até o momento para famílias ou para clusters de pessoas. Segundo as informações atualmente disponíveis, a infecção parece ter sido adquirida localmente no caso detectado no Reino Unido. A extensão da transmissão local não é clara e existe a possibilidade de identificação de outros casos. No entanto, uma vez que a varíola dos macacos foi suspeitada, as autoridades do Reino Unido prontamente iniciaram medidas apropriadas de saúde pública, incluindo o isolamento dos casos e rastreamento de contatos para permitir a identificação da fonte”, diz o documento.

No domingo, Suíça, Áustria e Argentina anunciaram os primeiros casos confirmados. Nenhuma morte associada foi relatada até o momento. O primeiro paciente com varíola de macacos foi diagnosticado no Reino Unido, no dia 7 de maio.

A doença é endêmica na África e embora o primeiro caso tenha ocorrido em uma pessoa que retornou de viagem da Nigéria, a maioria não tem associação com a passagem por locais de transmissão da doença. Isso, além de intrigar especialistas, levanta o questionamento sobre o risco de a varíola de macacos chegar ao Brasil.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, afirma que é difícil evitar que a doença chegue ao Brasil, e, por isso, é importante reforçar a rede de vigilância para detectar os casos suspeitos.

“Evitar que tenha caso (no Brasil) em mundo tão conectado é difícil. Agora, precisamos estar atentos, ter rede de vigilância adequada para detectar rapidamente os casos suspeitos e ter uma estrutura de diagnóstico e vigilância”, afirmou ao GLOBO.

Chebabo ressaltou a importância da sinalização do Ministério da Saúde para a comunidade médica com orientações claras sobre como lidar com a doença.

O Ministério da Saúde não sinalizou muita coisa. O ideal é que já tivesse, é possível ter casos próximos no Brasil. Precisa ter essa estrutura organizada para saber o que fazer – afirmou, continuando: – Tem que ser montada uma estrutura de diagnóstico, com PCR, como coletar esse material e como chegar nesses laboratórios e como volta para o profissional que notificou.

Na sexta-feira, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) publicou um alerta epidemiológico com recomendações sobre a identificação de casos, o isolamento e o acompanhamento de contatos, além do manejo clínico e a prevenção e controle da doença.

O que é a varíola do macaco?

A varíola dos macacos é uma infecção viral rara semelhante à varíola humana, considerada leve. A transmissão normalmente acontece do animal para a pessoa em florestas da África Central e Ocidental. Casos de contágio entre seres humanos podem acontecer, mas são mais raros, aponta a OMS. Por isso, autoridades de saúde pelo mundo monitoram de perto os novos diagnósticos que parecem se espalhar com mais facilidade de pessoa para pessoa.

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão entre seres humanos se dá, principalmente, por meio do contato com secreções respiratórias, lesões de pele ou objetos contaminados. Quanto a gotículas respiratórias, deve haver maior proximidade com o paciente. Além disso, há a possibilidade de infectar através de fluidos corporais.

Não existe uma vacina específica para a varíola dos macacos, mas os dados mostram que os imunizantes utilizados para erradicar a varíola tradicional, em 1980, são até 85% eficazes contra essa versão, de acordo com a OMS. As autoridades de saúde britânicas disseram na quinta-feira que começaram a oferecer a vacina a alguns profissionais de saúde e outras pessoas que podem ter sido expostas ao vírus.

Conheça os sintomas

Os primeiros sintomas da doença podem ser febre, dor de cabeça, dores musculares, nas costas, além de calafrios e exaustão. As lesões na pele podem se desenvolver primeiro no rosto e depois se espalham pelo corpo.

Os sintomas podem ser graves, mas há casos de sintomas leves que podem passar despercebidos. Nesses casos, há um risco maior de transmissão da doença.

 

Agência O Globo

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Agência de notícias e de fotojornalismo do Grupo Globo.

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