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Médico brasileiro explica como fez transplante histórico

Opinião,Saúde

Uma excelente notícia para a pesquisa brasileira: Pela primeira vez, um útero de doadora morta conseguiu gerar um bebê saudável, em um marco histórico científico que alcançou repercussão internacional.

O avanço pode significar mais alternativas para mulheres que desejem engravidar, mas não tenham útero – seja porque o tiveram removido ou mesmo nascido sem, condição atinge uma a cada quatro mil. Atualmente, as opções para essas mulheres são a adoção ou o “útero de substituição”, quando uma mulher gera uma criança para outra.

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Transplantes de útero são raros em todo o mundo. O bebê brasileir, Muko, nascido saudável em dezembro de 2017, foi apenas o décimo, sendo que todos os anteriores haviam sido gerados em úteros recebidos de doadoras vivas.

“Conseguimos realizar o transplante com sucesso devido a uma série de fatores: havia uma equipe grande e experiente, a doadora, de 45 anos, era saudável e possuía um útero que já havia gerado três filhos até ter o derrame que a vitimou. Todo o processo também aconteceu rapidamente, desde o falecimento da doadora, o transporte do órgão e a cirurgia”, disse o Daniel Ezjemberg, um dos líderes da pesquisa, à CartaCapital.

Ele explicou que o esforço envolveu duas equipes do Hospital das Clínicas de São Paulo, do Centro de Reprodução Humana e do Grupo de Transplante Hepático, incluindo cerca de 40 profissionais, como cirurgiões, psicólogos, assistentes sociais, infectologistas, imunologistas, entre outros.

Ezjemberg, que é supervisor do Centro de Reprodução Humana, explica que o estudo começou em 2013, envolveu intercâmbio com pesquisadores de outros países, testes em animais, avaliação de candidatas, até a realização do transplante em 2017.  Neste caso, foi também registrado na literatura médica o maior período de tempo em que um útero ficou sem oxigenação, sete horas e 50 minutos, e ainda se mostrou funcional.

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Mais pesquisa é necessária para que tal técnica seja disponibilizada, mas o médico se diz otimista com os resultados e as perspectivas que ele abre.

O feito foi registrado em uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo o The Lancet e mostra a importância da pesquisa brasileira na área de transplantes. Foi no Brasil que ocorreu o primeiro de fígado em todo o mundo e um dos primeiros de coração.

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