Mandetta: “Estamos iniciando processo de estresse no sistema de saúde”

O ministro da Saúde expôs, novamente, preocupação com abastecimento de hospitais com equipamentos de proteção individual

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Política,Saúde

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a expor preocupação com o abastecimento de equipamentos de proteção individual hospitalares, como máscaras e luvas, e de aparelhos respiradores para lidar com o novo coronavírus. Mandetta participou de coletiva de imprensa nesta quinta-feira 2, em Brasília, junto ao procurador-geral da República, Augusto Aras.

Segundo Mandetta, estamos iniciando um processo de estresse no sistema de saúde, mas até agora os estados estão bem abastecidos com materiais hospitalares, com estoque suficiente para 20 dias, além do que os gestores locais já possuíam. No entanto, o “famoso pico” ainda não chegou, e o atendimento médico no país deve viver cerca de 60 a 90 dias de “turbulência”.

O Ministério da Saúde tem maior preocupação com as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília, localizadas nos estados com maior número de mortes e casos identificados de coronavírus.

Na explicação do ministro, o problema do abastecimento de materiais hospitalares tem relação com o mercado chinês, que concentra mais de 90% da produção destes insumos no mundo, segundo ele. No início do surto de coronavírus, na cidade de Wuhan, a China ainda permitia a exportação de equipamentos de proteção individual.

Porém, pouco tempo depois, o país asiático reservou a produção apenas para o abastecimento interno. Então, o Brasil atravessou quase 60 dias sem poder comprar os materiais.

“É uma coisa que, no pós-epidemia, o mundo vai ter que falar ‘olha, não pode concentrar tudo num país só’. Eu acho que isso é uma das lições que a gente vai aprender: só pode fazer 30%, aí tem que fazer 30% na África, 30% na Europa, enfim. Mas o fato é que é isso que nós temos hoje”, comentou.

Trinta dias atrás, narra Mandetta, a China anunciou que poderia voltar a vender os insumos. Contudo, estavam acumuladas as demandas reprimidas no mundo, as necessárias para rotina, mais o pedido do excedente por parte dos países sob situações epidêmicas, mais o pedido de nações muito estruturadas, como os Estados Unidos.

O resultado, portanto, é que o Brasil pode ter o dinheiro, mas não obter a compra.

“Nós conseguimos fazer uma compra internacional e estávamos com ela adiantada. Então o primeiro lugar faltou que não conseguia atender, o segundo não, o terceiro, eu estava preocupado. Ontem, no final da tarde, o quinto lugar dessa compra falou: ‘Eu firmo’. É uma compra muito grande, suficiente para mais de 60 dias”, informou o ministro, sobre a aquisição de mais de 200 milhões de itens. Mas complementa: “Entre a promessa, e o produto recebido, eu só comemoro o produto recebido”.

Segundo Mandetta, se houver a necessidade de uma logística internacional para buscar a compra na própria China, o Ministério da Infraestrutura já está pronto para a operação e o país “vai mandar avião, com voo de companhias brasileiras, voo de FAB [Força Aérea Brasileiras], o que precisar”.

Na coletiva, Mandetta celebrou uma parceria com o Ministério Público Federal (MPF) para repasse de informações, a fim de evitar a judicialização em crises locais. Segundo o ministro, a assistência de Augusto Aras evitará situações em que juízes de estados e municípios, por exemplo, tomem decisões que beneficiem somente suas próprias regiões, em prejuízo a uma estratégia nacional de socorro.

Aras defendeu que, embora o Sistema Único de Saúde (SUS) trabalhe de forma descentralizada entre os estados, é fundamental haver “centralidade” das ações contra o coronavírus no país. No âmbito da Procuradoria-Geral, Aras anunciou esforço para repassar 2,5 bilhões de reais para o combate à doença, mas não esclareceu de onde virá o valor, nem sobre quando será transferido.

“Depois da superação do covid-19, nada será como antes. Nenhum sistema de saúde no mundo será mais o mesmo. Teremos que reconhecer um necessário aprimoramento para que eventuais problemas dessa mesma natureza mereçam o devido tratamento com mais rapidez e eficiência”, afirmou o procurador.

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Repórter do site de CartaCapital

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