Saúde
Justiça cancela confinamento em Búzios após protestos de comerciantes
Decisão tomada na quinta-feira 17 estabelecia o prazo de 72h para turistas saírem da cidade, devido ao aumento de casos de Covid-19
A Justiça do Rio de Janeiro reverteu nesta sexta-feira 18 uma ordem que determinava o fechamento de praias, hotéis e restaurantes no balneário de Búzios, após protestos de comerciantes locais.
Um juiz havia dado na quinta-feira 72 horas para os turistas saírem da cidade, 170 quilômetros ao norte do Rio de Janeiro, que vive um aumento de casos do novo coronavírus.
Mas, após protestos de trabalhadores do setor de turismo e reuniões com autoridades, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) reverteu a decisão, permitindo novamente a atividade turística.
“A decisão questionada afeta o plano de retomada da economia local, e, como corolário, as previsões de retomada da economia buziana, voltada para o turismo, dificultando a realização dos compromissos orçamentários e financeiros, causando prejuízos consideráveis a toda sociedade” de Búzios, argumentou o magistrado Cláudio de Mello Tavares.
Ele também argumentou que é responsabilidade do governo local e não do Justiça tomar medidas preventivas contra a pandemia.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em Búzios há uma curva ascendente de casos há uma semana, com mais de 100 registrados na quinta-feira, 10 de dezembro, pela primeira vez desde junho.
Dezenas de trabalhadores do setor comercial se reuniram em frente ao tribunal nesta quinta-feira com cartazes que diziam “Lockdown não” e “Búzios não fechará”, segundo a imprensa local.
A península de Búzios ficou famosa na década de 1960 com a visita da atriz francesa Brigitte Bardot e hoje possui inúmeros hotéis de luxo e um centro gastronômico que movimentam a economia de cerca de 30 mil habitantes.
O Brasil apresenta um aumento nos casos de coronavírus desde novembro e registrou 69.826 novos contágios nas últimas 24 horas, de um total de 7 milhões desde o início da pandemia e 184.827 mortes notificadas.
O Rio de Janeiro, com 17 milhões de habitantes, é o estado com maior taxa de mortalidade: 140 por 100.000 habitantes, diante de 88 para todo o país e 97 para São Paulo, o estado mais populoso.
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