Saúde

Total de brasileiros mortos em abril foi 64% maior que o esperado

Dados compilados pelo Conass consideram mortes naturais, causadas por doenças ou mau funcionamento do corpo e também as por Covid-19

Covas do cemitério da Vila Formosa, em São Paulo. Foto: AFP Photos Covas do cemitério da Vila Formosa, em São Paulo. Foto: AFP Photos
Covas do cemitério da Vila Formosa, em São Paulo. Foto: AFP Photos Covas do cemitério da Vila Formosa, em São Paulo. Foto: AFP Photos
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O Brasil enfrenta neste ano um excesso ainda maior de mortalidade. Entre os dias 1 de janeiro a 17 de abril foram 211.847 mortes a mais do que o esperado para o período, um aumento de 64%.

A conclusão é de um painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conass, em parceria com a organização global de saúde pública Vital Strategies e com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Os dados consideram o número de mortes naturais no País, causadas por doenças ou mau funcionamento do corpo e também os falecimentos por Covid-19 e doenças respiratórias.

A análise aponta que, até 17 de abril, o excesso de mortalidade no País já representa 77% do registrado em todo o ano de 2020. O excesso de mortalidade em 2020 foi de 22%. Em números absolutos, foram identificadas 275.587 mortes a mais do que o esperado.

“O número de mortes acima do esperado no país é superior à população de Angra dos Reis, no Rio. É como se todos os habitantes do município e ainda 4.803 visitantes tivessem morrido de forma inesperada e por causas naturais num período de quatro meses e meio”, crava uma análise sobre os dados.

As mortes não esperadas podem ser reflexo, além da infecção provocada pelo coronavírus, do atraso no diagnóstico e tratamento de outras doenças, em virtude da crise sanitária e aumento da demanda dos serviços de saúde.

Os dados são comparados com a projeção de mortalidade estimada a partir da série histórica de óbitos, com dados reunidos pelo Sistema de Informação de Mortalidade entre 2015 e 2019, aplicando-se um fator de correção para o subregistro do óbito, nos estados com menor cobertura do registro civil.

Ainda de acordo com a análise, com base na série histórica, eram esperadas até 17 de abril 328.665 mortes no País. Na primeira semana de janeiro, entretanto, o número já era proporcionalmente bem maior do esperado: a proporção de óbitos no país por causas naturais (excluídas as mortes violentas) nos primeiros sete dias de 2021 foi 36% maior do que o previsto. A tendência se manteve e a escalada das mortes por causas naturais ocorreu entre os dias 14 de fevereiro e 3 de abril. Neste intervalo, o excesso de mortalidade proporcional passou de 40% para 117%. Na última semana epidemiológica analisada, de 11 a 17 abril, o excesso de mortalidade proporcional alcançou 79%. Em números absolutos, naquela semana, ocorreram 17.837 óbitos a mais do esperado para o período.

O excesso de mortalidade foi expressivo na região Sul do País, com aumento significativo dos casos a partir de 14 de fevereiro de 2021 e com pico na semana de 14 de março, com 150% de excesso de mortalidade proporcional. No último período analisado, semana epidemiológica que começou em 11 de abril, o excesso de mortalidade proporcional ainda era muito expressivo: 84%.

Também foi verificado o excesso de mortalidade entre entre a população de até 59 anos, sobretudo entre os homens. Na população do sexo masculino de todas as faixas etárias, o número esperado de óbitos era de 171.132 até a semana de 11 de abril. No entanto, houve um total de 115.843 mortes a mais do que o projetado, um aumento de 68%. Entre mulheres, o percentual de excesso de mortalidade foi de 61%.

Uma das hipóteses que podem explicar o fenômeno é o fato de homens adotarem comportamento de maior risco de contaminação por Covid-19. A nova variante P1 também tem atingido a população abaixo dos 60 anos. A conjunção dos fatores podem explicar o maior impacto entre os homens de até 59 anos.

CartaCapital
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