Dimas Covas chama plano de vacinação de Pazuello de ‘ficção’

Diretor do Butantan exibiu 5 ofícios enviados ao Ministério que não tiveram resposta. 'Existe falta de planejamento e descompromisso'

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. Foto: Divulgação/Governo do Estado de SP

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. Foto: Divulgação/Governo do Estado de SP

Saúde

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, criticou o Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello, pela ausência na coordenação da vacinação contra a Covid-19 no Brasil.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira 19, Covas exibiu cinco ofícios enviados pelo Butantan à pasta e destacou que nenhum obteve resposta do órgão federal. O mais recente é de 17 de janeiro deste ano.

“Vamos colocar a responsabilidade em quem tem responsabilidade. Estão aqui os ofícios enviados ao Ministério da Saúde ofertando vacinas. O primeiro em 30 de julho de 2020. Ofertamos 60 milhões de doses de vacinas prontas para entrega ainda em 2020, e 100 milhões para 2021. Não tivemos resposta”, declarou.

“O Ministério firmou dois contratos anteriores – um com a Astrazeneca e um com a iniciativa Covax. Pagou adiantado pelos dois contratos e não recebeu uma única dose de vacina desses dois contratos. Existe uma falta de planejamento? Sim, e um descompromisso, porque em julho estavam ofertadas vacinas.”

 

Slide apresentado em coletiva do Governo de São Paulo mostra ofícios não respondidos (Foto: Reprodução)

 

Além disso, Covas classificou o plano de que 230 milhões de doses até a metade do ano, aventado por Pazuello, como “irreal” e “ficção”.

“Vacinas que não existem, que estão no papel. Precisamos olhar a realidade e não o que imaginamos que possa ser a realidade”.

O diretor do Butantan disse ainda que nove em cada 10 vacinas que estão no Brasil foram feitas no Instituto, mas o cumprimento dos 100 milhões de doses contratadas pelo Ministério da Saúde, após pressão política, dependem da chegada de insumos da China.

Já foram entregues cerca de 9,8 milhões de doses. Entre os dias 23 de fevereiro e 2 de março, serão mais 3,4 milhões de doses; depois, até o fim do mês, outros 13,9 milhões de doses. Em abril, o Butantan planeja fechar o primeiro contrato e entregar os 18,9 milhões de doses finais.

 

 

“A entrega de abril ainda depende da chegada de novos lotes de matéria prima. Teve aquele celeuma todo de qual foi a importância do relacionamento Brasil-China, que causou possíveis dificuldades na liberação dessa matéria prima”, destacou. O restante dos 54 milhões de doses serão produzidos de maio a agosto.

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) também aproveitou a ocasião para criticar Pazuello. “É inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua incompetência, ineficiência e incapacidade, que está acarretando a falta de vacina nas cidades, nos estados e no país”, disse.

No momento, a campanha da vacinação encontra-se estagnada em diversas capitais do País, como Rio de Janeiro, devido a falta de doses disponíveis para a continuidade. Tanto o ministro quanto o governo federal têm sido pressionados por governadores e prefeitos para dar celeridade à contratação de mais doses.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

É repórter do site de CartaCapital.

Compartilhar postagem