Coronavac e vacina de Oxford têm melhor custo-benefício para o Brasil, diz epidemiologista

O governo de SP anunciou que o imunizante da Sinovac, produzido com o Butantan, registrou 78% de eficácia

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

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Saúde

Para a realidade brasileira, a vacina CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a da AstraZeneca/Oxford, que tem a Fundação Oswaldo Cruz como responsável no País, são as de melhor custo-benefício. A avaliação é de José Cássio de Moraes, doutor em Saúde Pública e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

 

 

“As vacinas da Aztrazeneca e a Coronavac podem ser conservadas de 2° C a 8° C, que são as temperaturas que os imunizantes do nosso calendário são mantidos. Do ponto de vista de logística e para nossa realidade, elas têm uma possibilidade maior de conservação”, diz Moraes em entrevista a CartaCapital.

“A vacina da Pfizer, por exemplo, tem que ser mantida a -70° C e nas unidades básicas de saúde não têm como mantê-las, pela logística de conservação mais complicada. A da Moderna pode ser mantida a -20° C e as UBS também não têm geladeiras para esse tipo de conservação. Se a gente for investir em compra de freezers específicos, teríamos um grande investimento que só serviria para essas vacinas”, explica.

Na última quinta-feira 7, o governo de São Paulo anunciou que a Coronavac registrou 78% de eficácia nos testes clínicos da fase 3. O Butantan registrará nesta sexta-feira 8 o pedido para uso emergencial do imunizante, antes mesmo de solicitar o registro.  A Fiocruz também deve apresentar a solicitação para 2 milhões de doses da vacina que o governo negocia para importar da Índia.

O epideomologista explica que a Anvisa tem até 10 dias para fazer a análise. “Se tem duas situações diferentes. O pedido para uso emergencial se faz quando não se concluiu todos os estudos. Já a fase de registro tem que se juntar mais documentos. A solicitação para uso emergencial normalmente é por um tempo limitado. De acordo com o que a gente viu, a Anvisa tem 10 dias para dar a resposta”, afirma Moraes.

Ainda na quinta, o Ministério da Saúde, que até então apostava no imunizante da Astrazeneca/Oxford, assinou um contrato com o Butantan para adquirir até 100 milhões de doses da Coronavac. De acordo com a pasta, o acordo envolve a compra inicial de 46 milhões de unidades, prevendo a possibilidade de renovação com a aquisição de outras 54 milhões de doses posteriormente.

Em São Paulo, a previsão de início de vacinação em 25 de janeiro foi mantida.  “A estratégia agora não é controlar a doença e, sim, mitigar os riscos. Então, é preciso reduzir os riscos para as pessoas que têm mais chances de morrer. Depois, vai incluindo outras pessoas”, aponta Moraes.

A Fiocruz também informou que, com a chegada dos ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) importados em meados de janeiro, a produção da vacina AstraZeneca/Oxford no Brasil deve começar no dia 20 deste mês. “Nacionalmente, o nosso problema é se a gente vai conseguir vacina suficiente para ter uma cobertura vacinal relevante”, pontua.

 

 

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