Cinco vezes em que Bolsonaro contrariou recomendações sobre coronavírus

Presidente cometeu equívocos ao participar e encorajar manifestações pelo País. Manifestantes chegaram a dizer que coronavírus é fake news

Cinco vezes em que Bolsonaro contrariou recomendações sobre coronavírus

Saúde

Ao participar dos atos pró governo em Brasília neste domingo 15, o presidente Jair Bolsonaro foi contra algumas recomendações do Ministério da Saúde para conter o avanço do coronavírus. Em balanço divulgado pela pasta hoje, o País tem confirmados 176 casos, mas outros 1915 suspeitos, o que indica que a situação pode crescer exponencialmente.

O Ministério da Saúde já tinha anunciado medidas de contenção para evitar o aumento dos casos. Hoje, no entanto, o presidente infringiu algumas delas. Manifestantes que foram às ruas neste domingo chegaram a afirmar que o coronavírus é fakenews, desconsiderando os alertas nacionais e mundiais para o caso, considerado uma pandemia.

1 – Participou de aglomerações e as incentivou
O presidente Jair Bolsonaro não só participou de um ato pró-governo, em Brasília, como incentivou demais atos pelo País. Neste momento, o Ministério da Saúde pede para que as pessoas evitem aglomerações e recomenda que, em estados onde a transmissão do vírus é comunitária, caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, eventos sejam adiados ou cancelados. A aglomeração pode ser ainda mais perigosa a pessoas com mais de 50 anos de idade, que representa grupo de risco para o coronavírus.

2 – Violou isolamento
Bolsonaro violou a recomendação para que ficasse isolado. O presidente voltou recentemente de viagem e esteve próximo de pessoas que estão contaminadas com o coronavírus. Ainda que ele tenha testado negativo para o vírus, protocolo do Ministério da Saúde indica serem necessárias mais duas testagens, ao menos, para descartar possibilidade de infecção. Vale lembrar que sete pessoas que estiveram com o presidente em recente viagem aos Estados Unidos estão contaminadas com o Covid-19.

 

O secretário-adjunto de Comunicação da Presidência da República, Samy Adghirni, é um dos casos. Um militar que estava na tripulação do avião presidencial também está infectado pela Covid-19. O primeiro diagnóstico foi do secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, diagnosticado na última quinta-feira.

Depois dele, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e o diplomata Nestor Forster, encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em Washington, testaram positivo para o vírus. Há ainda outros dois casos de pessoas que acompanharam o presidente durante a viagem aos EUA, mas não viajaram no avião oficial. A advogada Karina Kuffa e o publicitário do futuro partido Aliança pelo Brasil, Sérgio Lima, informaram que contraíram o vírus.

3. Trocou objetos com os apoiadores
O presidente tocou nos aparelhos celulares de seus seguidores para fazer fotos, ação que também deve ser evitada segundo recomendação do Ministério da Saúde. Os celulares ficam suscetíveis a vários toques durante o dia, e seu material, geralmente plástico, pode reter partículas do novo coronavírus por mais de quatro dias. Recomenda-se evitar o compartilhamento de objetos pessoais, além de limpar os aparelhos celulares pelo menos uma vez ao dia com álcool isopropílico.

4. Distribuiu apertos de mão
Bolsonaro distribuiu apertos de mão aos seus apoiadores em Brasília. O Ministério da Saúde também tem desencorajado manifestações como toques de mão, beijos no rosto e abraços também por favorecem a disseminação do vírus.

5. Violou distância social de ao menos um metro
As aglomerações não são indicadas em um momento de pandemia justamente porque o vírus, além do contato, pode ser transmitido por secreções respiratórias ou gotículas lançadas no ar. Por isso, recomenda-se manter distância mínima de um metro de outra pessoa, o que também não foi seguido pelo presidente.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem