Cientistas brasileiros sequenciam genoma do coronavírus em apenas 48h

Em média, pesquisadores de outros países ao redor do mundo têm levado 15 dias para obter o mesmo resultado dos cientistas brasileiros

Imagem microscópica do SARS-CoV-2, o novo coronavírus - Foto: CDC

Imagem microscópica do SARS-CoV-2, o novo coronavírus - Foto: CDC

Saúde

Enquanto outros pesquisadores têm levado em média 15 dias para obter o sequenciamento genético do coronavírus, um grupo de cientistas brasileiros apresentou este resultado em apenas 48 horas. Esse tipo de informação, além de ajudar a entender como o vírus está se dispersando pelo mundo, também colabora com o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos.

“Ao sequenciar o genoma do vírus, ficamos mais perto de saber sua origem. Sabemos que o único caso confirmado no Brasil veio da Itália, mas os italianos ainda não sabem a origem do surto na região da Lombardia, pois ainda não fizeram o sequenciamento de suas amostras. Não têm ideia de quem é o paciente zero e não sabem se ele veio diretamente da China ou não”, disse Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP, à Agência Fapesp.

Segundo ela, a sequência brasileira é muito semelhante à de amostras sequenciadas na Alemanha no dia 28 de janeiro e apresenta diferenças em relação ao genoma observado em Wuhan, epicentro da epidemia na China. “Esse é um vírus que sofre poucas mutações, em média uma por mês. Por esse motivo não adianta sequenciar trecho pequenos do genoma. Para entender como está ocorrendo a disseminação e como o vírus está evoluindo é preciso mapear o genoma completo.”

Esse monitoramento, segundo Sabino, permite identificar as regiões do genoma viral que menos sofrem mutações – algo essencial para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos. “Caso o teste tenha como alvo uma região que muda com frequência, a chance de perda da sensibilidade é grande”, explicou a chefe da pesquisa, que foi desenvolvida pelo Instituto Adolfo Lutz em parceria com o IMT da USP e com a Universidade de Oxford, da Inglaterra.

*Com informações de Agência Brasil e Agência Fapesp (Karina Toledo)

 

 

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