Brasil não dará respostas eficientes à pandemia se tiver cortes nas pesquisas, diz presidente do CNPq

Governo propôs 5,3% de corte a uma das principais agências de fomento à pesquisa do país

"Se tiver corte, não conseguiremos dar respostas à pandemia", diz presidente do CNPq. Foto: AFP

Saúde

O corte de 5,3% nas verbas destinadas ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), previsto  no Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) 2021,  pode comprometer até metade da produção do órgão. É o que diz o presidente da instituição Evaldo Vilela.

Em entrevista ao jornal O Globo, Vilela afirma que, caso o cenário orçamentário para o ano que vem não seja revertido no Congresso, o órgão não terá dinheiro para pagar nem mesmo as bolsas já vigentes, que hoje giram em cerca de 80 mil.

“Temos um patamar de cerca de 80 mil bolsas por mês. Esse é o dinheiro que nós temos hoje, 1,3 bilhão que mantém essas bolsas. Se não tivermos esse dinheiro, significa que não vamos poder manter as 80 mil bolsas. É simples assim. Há muito tempo que não temos trabalhado com aumento de bolsa, nem de valor nem de quantidade. Então, é fundamental que a gente tenha esse orçamento para manter isso. O país é muito grande. Desenvolvemos muito a ciência nacional, ela é muito robusta em certas áreas e não pode sofrer esse resvalo. Com as bolsas, a gente descobre e forma os talentos para que a gente possa continuar mantendo e crescendo a robustez da nossa ciência brasileira”, afirmou.

As restrições no orçamento, segundo ele, podem comprometer também resposta do país à pandemia, uma vez que diversas pesquisas na área estão sendo financiadas pelo órgão.

“O orçamento seria diminuído para o ano que vem em 200 milhões, conseguimos reverter e temos uma diminuição de 100 milhões, que é muito. O que nos preocupa é que este orçamento está dividido em duas partes. No ano passado foi de 60 milhões, e o Congresso nos liberou. Vai liberar este ano? Se não liberar é uma catástrofe, porque vamos rachar a pesquisa no CNPq à metade. A gente precisa de recurso, porque ciência não é uma coisa que possa fazer sem dinheiro E os níveis de financiamento da pesquisa no Brasil têm caído sistematicamente”, disse.

 

 

 

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